Os Armênios

Graham Coxon revitaliza o Blur

Postado em 24 de fevereiro de 2010

Por Cezar “Dudy” Duarte

Há bandas que tem um integrante que é considerado a alma musical do grupo. Tente desassociar Keith Richards dos Rolling Stones, Pete Townshend do Who e Jimmy Page do Led Zeppeling. Com certeza, essas bandas não teriam se tornado grandes ícones do rock como as conhecemos, sem esses mestres da guitarra e arranjadores.

Graham Coxon

Algo semelhante aconteceu com o Blur, um dos expoentes responsável pela renovação do rock britânico da década de 90 em diante. Graham Coxon, guitarrista que representa a essência do melhor que o Blur já produziu, havia saído do grupo no início deste novo milênio por divergências musicais, deixando a banda capenga, descaracterizada sem o seu principal membro. Eles tentaram continuar, mas era visível o estrago que a falta de Graham provocara dali pra frente.

All The People - Blur Live in Hyde ParkO renascimento do verdadeiro Blur ocorre com a volta do guitarrista para a realização de shows em 2009. O resultado disto é o lançamento do DVD duplo No Distance Left To Run e do CD igualmente duplo, All The People: Blur Live in Hyde Park (capa ao lado). Este pacotaço foi lançado no último dia 15 de fevereiro. O primeiro DVD traz um documentário sobre a banda. O segundo contém o show da volta realizado no Hyde Park de Londres, em 7 de fevereiro de 2009. A banda tocou 25 músicas de todas as fases da carreira. O CD apresenta o concerto que está no DVD.

É incrível constatar a importância que Grahan dispensa à banda. Sua guitarra, invariavelmente, dá o tom e é o instrumento de maior destaque em quase todo set list apresentado. Assim, muitos arranjos ficaram mais empolgantes e vigorosos em detrimento às gravações originais. Um único ponto falho que se constata nos CDs é o intervalo excessivo que existe entre algumas faixas. Funciona no DVD. No disco estas brechas poderiam ter sido reduzidas. Apesar disso, o registro revela a grandiosidade da formação clássica de um dos maiores e melhores grupos dos anos 90.

Uma breve retrospectiva discográfica

Um dos maiores representantes do chamado Britpop, surgido no início dos anos 90 é, sem dúvida, o Blur.

O grupo foi formado em 1989 em Londres com o seguinte lineup: Damon Albarn (vocal e teclados), Graham Coxon (guitarra), Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria). Na sua gênese, o Blur era chamado de Seymour, mas esse nome durou apenas 12 shows. Por pressão da primeira gravadora, mudam para Blur. O single de estreia é She’s so high (1990), seguido de There’s no other way e Bang, ambos de 1991. Estes compactos tiveram relativo sucesso. A inclusão do clip There’s no other way na programação da MTV ajudou muito a chamar a atenção de um público maior para a banda.

Blur: Discografia com coletâneas e ao vivo - parte 1

Ainda em 91 é lançado o primeiro disco, Leisure, que incluía as faixas citadas. Tanto os músicos quanto a gravadora (Food Records) não ficam totalmente satisfeitos com o resultado. O próximo passo é criar uma sonoridade diferente. O single Pop Scene (1992) mostra uma evolução com uma levada mais rápida e com a inclusão metais. A repercussão é baixa. Partem para a gravação do segundo disco, Modern Life is Rubbish (1993), nome tirado de uma pichação. A gravadora examina o material e pede que um hit seja gravado. O mesmo pedido é feito pela gravadora americana. Daí nascem For Tomorrow e Chemical World, realmente pontos altos de Leisure. Em abril de 1994 é a vez de Parklife, uma espécie de Sgt. Pepper’s dos anos 90 (guardadas as devidas proporções, é claro), dada a riqueza musical perfilada por todo álbum. É o disco mais criativo, inspirado e, por que não dizer, o mais revolucionário do cenário Britpop até aquele momento, recebendo com justiça, o disco triplo de platina. O single de maior impacto do grupo é lançado em 1995, Country House, rivalizando com Roll With It de outra grande banda inglesa que estava se firmando, Oasis. Uma rixa entre elas é criada naquele ano para a alegria da mídia sensacionalista.

Blur: Discografia com coletâneas e ao vivo - parte 2

O quarto petardo é The Great Escape (1995), que trilha o caminho de Parklife. A concepção musical é praticamente a mesma, como se fosse um vol.2 do antecessor. Sucesso garantido. Passado um tempo, a banda é acometida por uma instabilidade pelo  pouco respaldo que começava a ficar aparente, muito devido às atenções voltadas ao seu co-irmão-rival Oasis que não parava de tomar conta da cena roqueira. Os membros chegam a pensar numa ruptura que acaba não acontecendo. Decidem trabalhar em um novo material. Desta vez, a ideia era fugir do pop que os consagraram nos dois últimos CDs. O lançamento recebe o nome da banda, Blur (1997). Há uma guinada radical nas novas composições, o som fica mais experimental e sombrio. A crítica simpatiza com a novidade. O mesmo não acontece por parte dos fans, e alguns torceram o nariz pela mudança apresentada. Beetlebum e, sobretudo, Song 2 são as faixas que puxam as vendagens do quinto disco. O fascínio pelo som eletrônico e pelos recursos de efeitos sonoros chega ao máximo com 13 (1999), um verdadeiro desafio de fidelidade ao fan. É de 13 os hits Tender e Coffee and Tv (faixa cantada por G. Coxon). Curiosamente, são as canções que não se encaixam no clima experimental-psicodélico que pontua o trabalho.

Blur: Discografia com coletâneas e ao vivo - parte 3

O Blur faz apresentações até 2000. Há uma pausa para as atividades. Começam as gravações para o sétimo álbum em 2002. No estúdio, Damon e Graham acabam não chegando a um acordo quanto às novas criações. O guitarrista abandona o grupo. O restante dos membros finaliza o sétimo CD batizado de Think Tank (2003). Registro que pode ser esquecido. Não por coincidência, a baixa qualidade deste último, se credita à carência da genialidade de Graham Coxon, que lança, adiante, o maravilho solo Happiness in Magazines, fazendo de Think Tank uma caricatura mal acabada do que sobrou do Blur.

Blur: Discografia com coletâneas e ao vivo - parte 4

Além dos discos citados, também foram lançadas 4 compilações e 3 discos ao vivo da banda. As coletâneas: The Special Collectors Edition (1994) reúne lados B dos três primeiros discos; The 10 Year Limited Edition Anniversary Boxset (1999)é uma caixa que reúne os 22 primeiros singles do grupo; The Best Of Blur (2000) reúne os maiores sucessos acrescidos de uma faixa inédita, tem saído também em uma edição especial com 2 CDs, contendo gravações ao vivo em Wembley; e Midlife: a beginner’s guide to Blur (2009), com dois discos, cujo foco era apresentar o grupo para uma geração nova, que não conhecia a banda. Os títulos ao vivo, além do recente All The People: Blur Live in Hyde Park, há também: Live at the Budokan (1996), duplo, lançado apenas no Japão; e Live in Holland (1998) com 6 faixas e funciona mais como um EP estendido. Esse último acabou sendo incluído integralmente na coletânea de remixes Bustin’ + Dronin’ (1998).

Junto com o Supergrass e o Oasis, O Blur foma a “Santíssima Trindade” do Britpop, o último grande movimento musical inglês, dentro do Rock, e o mais significativo de toda a década de 1990.

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9 comentários

Bono

Baita texto “Dudi”, nada como uma banda competente e original para sacudir esse mercado musical cada vez mais fraco de artistas que mostrem o que é relamente importante em termos de qualidade sonora.

Indie Guy

Ótima panorâmica.
Não conhecia todos os discos.

Cocix

os solo do graham são melhor que os discos do blur

Markito

Nem sonhando!

syd

cocix, eu amo o graham do fundo do meu coração. acho a carreira solo dele excelente e muito underrated.

mas os discos dele não são melhores que o do blur. oh, no.

syd

ah, e o ótimo o texto, é isso mesmo. sem ele o blur não é nada. acho que o graham precisou ser expulso da banda, pra todo mundo dar valor a ele.

Robinson

Graham é um ótimo artista, sem duvida, mas não chega nem perto de toda genialidade de Damon Albarn, que emplacou o Gorrilaz com ótimos álbuns (Demon Days, o melhor de todos, diga-se de passagem) e produziu um álbum simplesmente perfeito com a sua banda alternativa The Good, The Bad and The Queen, algo digno de muito credito. Dizer que Graham é a alma do Blur é besteira, pois todos eles juntos é que formam essa bela e maravilhosa banda!

Rafaella Solla

Não acho que o Think Tank seja de baixa qualidade, como citado no texto. Mesmo sem o Graham, o Blur conseguiu fazer um álbum incrível. Um tanto diferente – e sem a guitarra única do Coxon -, mas incrível justamente por isso, por ter um som completamente diferente do álbum antecessor – 13. E eu adoro os trabalhos do Graham solo, mas não acho que seja melhor que todos os álbuns do Blur. Acho Graham solo bem melhor que Gorillaz, mas não melhor que o próprio Blur.

Selma

Graham e a alma do grupo.

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