Os Armênios

Impressões sobre rock, arte & transgressão

Postado em 20 de dezembro de 2009

por Marina de Campos &
Rodrigo de Andrade (GARRAS)

Manet, Degas, Renoir, Van Gogh, Modigliani, Monet: alguns dos homens mais transgressores de seu tempo – e quem são eles agora? Onde repousa esse espírito? Onde quer que esteja presente o mesmo vigor e a mesma ânsia por quebrar padrões, a pouca importância para o resto do mundo e todas as atenções voltadas ao interior. É assim, bebendo da arrebatadora influência de um movimento artístico que representou para o século dezenove praticamente o mesmo que a contracultura dos anos 1960 (em ambos os casos, jovens rebelando-se contra a hipocrisia da sociedade utilizando o seu talento como única e potente arma), que a Impressionistas se lança agora no cenário do rock gaúcho causando surpresa e interesse.

Os Impressionistas: Miglu, Ricardo, Eduardo e Lucas

Afinal, difícil saber o que esperar de uma banda que tem relações tão estreitas com a arte impressionista, mas também se deixa influenciar pelo psicodelismo e pelo espírito delirante do folk britânico. “O impressionismo foi um movimento independente onde um grupo de artistas decidiu desafiar os padrões da época, nos identificamos muito com essa proposta. A estética impressionista também está presente nos aspectos da concepção do nosso conjunto, é a linha que costura todo o projeto”, explica a banda, provando que o nome não foi simplesmente escolhido ao acaso.

Os ImpressionistasMas se a escolha do nome foi assim tão precisa e minuciosa, o que dizer das faixas do primeiro single da banda, que realmente evocam referências de todos os tempos e vertentes, desde os impressionistas do pincel até compositores como Debussy e Ravel, passando por Baudelaire, Mallarmé e Rimbaud? Impressionantes nas letras e nos detalhes, demonstram potencial para ir muito longe. “Quanto ao futuro, estamos compondo bastante, já pensamos no primeiro e até mesmo no segundo disco”. Ninguém ousa duvidar.

E para comprovar isso, a banda vem a Passo Fundo no dia 31 de dezembro para um grande show na 4ª edição da Virada da Contracultura, o reveillon rock mais tradicional da cidade. No evento, realizado pelo site Os Armênios, estarão presentes ainda a banda Reino Elétron e também a a volta da Rabo de Peixe, que se reúne após longo hiato.

A seguir, a entrevista realizada com os integrantes Eduardo Barretto e Gustavo “Miglu” Chaise, e publicada na íntegra com exclusividade, falando sobre as origens da Impressionistas, a relação com o impressionismo, suas preferências musicais e o (grande) futuro da banda. Confira.

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Como e quando a banda surgiu? Vocês já tocavam em outros grupos antes?
Eduardo Barretto – O Ricardo Bento e eu somos amigos de infância, porém nunca havíamos tocado juntos. Decidimos montar um projeto diferenciado, onde a originalidade fosse a principal característica. Logo conhecemos o Lucas Dellazzana, que trouxe na bagagem várias influências e padrões rítmicos diferenciados, oriundos de outros gêneros musicais. Algum tempo depois, o ilustre passo-fundense Gustavo Chaise se juntou a nós, representando a pincelada final na criação da Impressionistas. Todos estavam em plena atividade com outros trabalhos musicais.

Quais as principais influências da Impressionistas?
Eduardo - Todos gostamos de rock, esse é o ponto comum que caracteriza a sonoridade da Impressionistas, porém nossos horizontes são mais amplos e não ficam restritos a um gênero musical apenas. Incorporamos à nossa música elementos circenses, psicodelismos e diversas excentricidades, buscamos uma sonoridade própria. Temos também uma forte influência de pintores impressionistas, principalmente Monet. Suas delirantes paisagens ilustram e inspiram muitas de nossas composições.
Gustavo Chaise - Fazemos uma espécie de mod-punk-psicodelia-nonsense (risos).

O nome da banda deixa clara uma ligação com o movimento artístico denominado impressionismo. Qual é a relação de vocês com a arte e com esse período específico? Como isso influencia em um trabalho musical?
Gustavo - Barretto responderá melhor essa.
Eduardo - O Impressionismo foi um movimento independente, onde um grupo de artistas decidiram desafiar os padrões da época, nos identificamos muito com essa proposta. Além de fazer música, somos consumidores de outros tipos de arte e tentamos englobar esses elementos em nosso trabalho de forma harmônica. A estética impressionista está presente em diversos aspectos da concepção do nosso conjunto, é a linha que costura todo o projeto.

O jardim de Claude MonetQual, dos muitos artistas que o impressionismo possui, seria o autor do cenário ideal para o som da Impressionistas?
Eduardo - O cenário ideal certamente viria de uma das imponentes obras de Monet. O pintor francês mantinha um recanto imaculado, chamado Jardim de Giverny, onde realizou muitas de suas obras. Imagine um majestoso jardim, cercado por arbustos ornamentais, com uma ponte japonesa cruzando um lago tomando por exuberantes ninféias. Este seria o local perfeito para sentar-se confortavelmente e ouvir nossas canções, dando uma boa cachimbada e vendo a grama crescer.

Vocês possuíam três faixas no MySpace que foram excluídas. Por quê? Qual era a formação da banda naqueles registros? Elas serão relançadas futuramente?
Eduardo – Tais faixas são o ponto de partida do nosso conjunto, que nessa época ainda estava em estágio embrionário. A formação era a mesma, porém não tínhamos um guitarrista. Na necessidade gravei também as guitarras – além do baixo, que é meu instrumento de origem – e então saímos em busca de alguém que pudesse completar a nossa formação, acrescentando artisticamente e também pessoalmente. Logo conhecemos o Chaise, que se identificou com o projeto. Fizemos um ensaio e, após a primeira música, ficou claro para todos: achamos!
Gustavo - Essas canções serão relançadas em breve. Eu não tocava em nenhuma daquelas faixas, por isso mandei tirar de circulação (risos).

Alguns integrantes tocam em outras bandas. Gustavo na Severo em Marcha, Eduardo na Efervescentes. Como vocês conciliam os múltiplos projetos?
Gustavo
– É a nossa profissão, nossa única função no mundo atualmente, além de sermos bons maridos de nossas mulheres (risos). Eu tenho dois projetos que são muito diferentes um do outro, existe uma necessidade de estar em constante atuação. Quando não estou tocando com uma banda, estou com a outra. Isso me satisfaz “musical-mente”.
Eduardo - É importante estar sempre em atividade e trabalhar duro para construir uma carreira musical digna. É muito saudável ter outros projetos e estar interagindo com diversos músicos. Para conciliar tudo isso é bem simples, basta se organizar e não fazer corpo mole.

Os ImpressionistasTanto a sonoridade quanto as referências e as citações que vocês fazem remetem ao psicodelismo. Como vocês entendem a produção artística — e sua recepção — em estados alterados de consciência?
Gustavo - Se você está triste, com raiva, estressado, eufórico, melancólico, isso tudo são estados alterados de consciência e pode sair uma música de acordo com cada um desses sentidos. Quanto à recepção, é a mesma coisa, é preciso estar de acordo com o estado de espírito do momento.
Eduardo - Eu não sei de nada, foi alguma coisa que colocaram na minha bebida (risos).

Que bandas nacionais que estão na ativa vocês apreciam e indicam ao público?
Gustavo - Dinartes, Rinoceronte, Variantes e Dingo Bells.
Eduardo – Eu aprecio bastante Pata de Elefante e a Dinartes, porém não poderia deixar de citar também os amigos da Dingo Bells, um projeto novo que certamente vai dar o que falar.

Se fosse para listar cinco discos que impressionam os Impressionistas, quais seriam?
Gustavo – Tommy do The Who, Fresh Cream do Cream, Are You Experienced? do Jimi Hendrix, Ziggy Stardust do David Bowie e The Madcap Laughs do Syd Barrett.

Segundo – Vocês já tocaram anteriormente em Passo Fundo, e agora vão voltar para a 4ª edição da Virada da Contracultura, o reveillon rock mais tradicional da cidade. Como foi a primeira visita? E qual a expectativa para começar o ano novo tocando aqui novamente?
Eduardo - Nossa primeira visita foi especial, encontramos um ambiente muito acolhedor. O conjunto era novo, e este foi um dos nossos primeiros shows, contudo a mídia local e o público em geral foram muito generosos e receptivos com o nosso trabalho. Estamos muito felizes em voltar e poder apresentar nossas novas composições, ainda mais em uma data tão festiva. Temos uma forte relação com Passo Fundo, cidade natal do nosso querido Chaise. Será muito agradável estar novamente na companhia dos confrades da “terra de gente boa”.
Gustavo - Passo Fundo é a minha terra, em cada lugar que passo por aqui me sinto em casa. Voltar e poder apresentar um projeto novo é lisonjeiro, tipo, ”hey, vejam o que eu fiz enquanto estive fora!”. Ainda mais num Reveillon, que é uma ocasião especial. Vai ser um festão, garantido!

Segundo – Como está sendo a receptividade do single? Qual é o plano daqui pra frente?
Eduardo – A receptividade está sendo ótima! Quanto ao futuro, estamos compondo bastante, já temos repertório para o primeiro disco e até para um segundo.
Gustavo – O plano-mor é a gravação do primeiro disco oficial dos Impressionistas.

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O Single:

Impressionistas - Single 2009O título de estréia da Impressionistas (capa ao lado) acaba de ser disponibilizado para download também n’Os Armênios. Antes, as faixas podiam ser conferidas no MySpace e baixadas na Trama Virtual.

O single é composto por três faixas. Abre com uma introdução etérea, revelando o clima lisérgico que permeia a obra, e segue com dois clássicos instantâneos. Composições inspiradas, performance instrumental enérgica e vocais poderosos, tudo carregado com uma forte marca de originalidade. São características que fazem os Impressionistas se elevarem a um patamar de destaque em relação a grande maioria das bandas independentes da atualidade.

Todas as músicas podem ser baixadas, junto com a capa para impressão, no link Diskoteka Armênia, ou clicando abaixo.

>>> Impressionistas: faça o download clicando AQUI! <<<

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Links:

N’Os Armênios:

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3 comentários

André L. M. N.

Ficou ótimo o trabalho de vcs, parabéns gurizada, abraço!

Styfler

Bah tree foda a entrevista e o som dos cara é muito massa… “Cachimbando e vendo a grama crescer !!!”

Banda Tapete Persa

- Uau! Mto preza essa Banda mesmo… Miglu eh fóda! Estamos IMPRESSIONADOS com os IMPRESSIONISTAS! Parabens gurizada! Musica mto boa, viu?!?!?! Dalhe gurizada!

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