Abbey Road (1969-2009)
por Marina de Campos
Como nos velhos tempos
Além da perfeição sonora, do vigor revolucionário, da qualidade assustadora em cada melodia, letra ou vocal, os Beatles também são a mais perfeita metáfora para uma história de amor. Quando explodem em alegria e ingenuidade em seus três primeiros discos, representam o primeiro encontro e todas as descobertas, a inocente fase em que todos pensam e agem da mesma maneira, aquele precioso mas efêmero tempo em que são apenas um só. Help! e Rubber Soul significam a transformação e a evolução, o amadurecimento de uma relação que vai se tornando mais séria e concreta, ainda sem perder a espontaneidade do início. Com Revolver atingem o ápice de uma paixão complexa e instigante, concretizada no mítico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band por sua plena sintonia, e imortalizada como a mais bela lembrança de um sonho que, como se sabe, está predestinado a acabar.

É aí que os ideais passam a ser divergentes, as ambições já não são mais as mesmas, os planos não mais serão compartilhados. Estão diferentes e solitários, independentes e esquecidos da antiga essência que os unia, um obscuro sentimento de incompatibilidade refletido no letárgico Magical Mystery Tour. A tensão dos conflitos declarados se estabelece no Álbum Branco e suas faixas cada vez mais heterogêneas, o
derradeiro fim como uma bomba prestes a explodir e tingi-los de puro e incoerente vazio. Yellow Submarine traz de volta a cor que havia desaparecido, mas não a antiga e sincera atmosfera que fazia daqueles quatro gênios uma só realidade, uma chama perdida para sempre entre tantas histórias e dias memoráveis, capazes de sobrecarregar e desgastar qualquer amor.
Em Let It Be, a situação se torna insustentável e as discussões ganham proporções épicas. A pressão de uma convivência tão duradoura os arrasta não apenas ao ódio e à amargura, mas à tão temida indiferença. Das profundezas de uma sólida trajetória, brilha o último resquício de vida, uma luz que alguém enxerga como possível salvação. Será possível retornar à antiga harmonia, voltar àqueles velhos tempos quando tudo era mais bonito e vibrante? A tênue linha que os conecta afirma veemente que sim, que qualquer tentativa é válida quando o sentimento ainda existe. O desafio é lançado, o acordo é cumprido, cada um faz a sua parte na missão de criar uma nova esperança, algo como nos velhos tempos.
O resultado é o forte e maduro Abbey Road, a última reunião dos Beatles em estúdio, o último fruto de uma relação tão intensa e conturbada, e a chance de um grandioso final feliz para a maior banda de rock de todos os tempos. Algo o último beijo apaixonado antes do adeus, um selo de paz em meio ao bombardeiro da nova realidade que os engoliu e os jogou para longe um do outro. Um fim duro e justo tanto quanto deveria ser, a liberdade devolvida a cada um como uma dádiva que não pode ser negada, e a clara compreensão de que nenhum amor é para sempre, mas que ainda assim é sempre amor.

Um lugar na linha do tempo para os Beatles e sua passagem por Abbey Road
E Deus disse: Faça-se a luz. Então criou o homem, e o homem criou a escrita, e Homero escreveu A Odisseia, os povos fundaram Roma, Spartacus lutou contra ela, Sócrates foi morto pela filosofia, César amou Cleópatra que amou Marco Antônio, e Jesus nasceu numa noite escura e silenciosa em sua humilde manjedoura. Foi crucificado e morto, se tornou lenda, Constantino fez as regras, Dante escreveu a Divina Comédia, Gutenberg inventou a prensa, Galileu o telescópio, e os homens começaram a guerra. Veio Hitler e Woodstock, Comunismo e Charles Manson, Cuba, Einstein, Kennedy, Vietnã, Hiroshima & os Beatles. E os Beatles.
E o Abbey Road e todos os outros discos. “Aquele em que eles estão atravessando uma rua, conhece?”, aquele em que atravessam o século e caminham em direção a um futuro apocalíptico, a capa mais famosa e o conteúdo mais subversivo, uma verdadeira afronta a eles mesmos e a tudo aquilo que um dia já acreditaram. O fim como recomeço, um sonho vencido pela natureza rebelde de quatro grandes homens que jamais se submeteriam a qualquer padrão, e a prova mais sensata de que o rock’n'roll – assim como a história da humanidade – não possui início, meio ou fim, mas uma atemporal, hipnótica e interminável melodia que ressoa ainda hoje em iphones e ipods mundo afora. A tênue linha sonora que mantém viva a memória do maior fenômeno cultural daquele século – aquele mesmo século que nada representa além de um simples minuto na linha do tempo desse velho e desastroso universo.
Deveríamos estar gravando o disco, e não posando pra fotos idiotas!
É impossível acreditar que o conteúdo de Abbey Road seria o mesmo se sua capa fosse outra. O que seriam das faixas do disco se não fosse as faixas de segurança por onde passou o quarteto, o que seria do calor presente em cada música se a fotografia tivesse sido tirada do alto do monte Everest? Parece loucura, mas foi por pouco. Até pouco antes da finalização do álbum, seu nome provisório era justamente Everest, o mesmo da marca de cigarros que o engenheiro Geoff Emerick costumava fumar à época das gravações. A probabilidade de este ter sido o nome era tanta que os integrantes chegaram a cogitar a possibilidade de pegar um jato particular até a montanha mais alta do mundo para uma sessão de fotos.
Mas nenhum deles estava disposto a tanto. “Vamos lá fora, tiramos a foto, chamamos o LP de Abbey Road e assunto encerrado.” Este foi o pensamento comum, segundo o biógrafo Bob Spitz em seu livro The Beatles, e foi o que acabou acontecendo na manhã quente do dia 8 de agosto de 1969. A sessão, realizada pelo escocês Ian Mcmillan, não demorou mais que 10 minutos. Do alto de uma escada posta bem no meio do cruzamento, o fotógrafo tirou seis instantâneos, enquanto John resmungava que “deveríamos tirar logo a foto e sair daqui, deveríamos estar gravando o disco e não posando pra fotos idiotas”. Coincidência ou não, a ideia foi justamente de Paul, responsável por fazer um esboço da cena e depois escolher o melhor clique.
Exatamente às 11h35 atravessaram a famosa rua um homem de cabelos longos e jeans, um sujeito de pés descalços e cigarro na mão, um jovem engravatado e, por fim, uma excêntrica figura toda de branco, com o olhar compenetrado no horizonte que parecia visualizar enquanto os outros o seguiam. Em direção a que futuro brilhante caminhavam? O que esperavam encontrar do outro lado? Nada que já não conhecessem. O sonho havia acabado e o que restava ali era apenas talento individual, cada qual com sua essência e personalidade, todos conscientes de que o curto trajeto que faziam a passos largos tinha como destino a história, e não mais a realidade.
A história que todo mundo está cansado de ouvir
Paul McCartney está morto. E tem o substituto mais talentoso que o mundo já viu. Esta é provavelmente a maior lenda em torno da carreira dos Beatles: a absurda hipótese de que o beatle tenha morrido em um acidente de moto em 1966 e que desde então o seu lugar tenha sido ocupado por um sósia.
Alimentada não se sabe por qual acontecimento, a história ganhou uma infinidade de “indícios”, muitos deles na própria capa do Abbey Road.
De acordo com aqueles que insistem em acreditar no boato, o álbum está repleto de simbologias, o que desmentiria tudo o que foi dito ali em cima sobre uma sessão rápida e impaciente. O fato de estar descalço e de olhos fechado (como são enterrados os defuntos britânicos), a placa do carro LMW referindo-se à Linda McCarney Widow (viúva, em inglês), John representando o padre, Ringo responsável pelo funeral e um George em versão coveiro – tudo isso foi enxergado naquela simples foto. Indiferente a todas essas teorias delirantes, estava, no momento do registro, o turista americano Paul Cole, que só se deu conta de que havia sido fotografado junto com os Beatles quando viu a capa do álbum, lançado ao mundo em 26 de setembro de 1969.
(1969-2009…)
Quatorze mil e seiscentos dias separam a data de 26 de setembro de 2009 da ensolarada manhã em que os atendentes de todas as lojas de disco da Inglaterra pegaram uma pilha de LPs do Abbey Road e os colocaram em suas vitrines, com todo o cuidado e destaque que merecia o álbum na época, e que continua merecendo até os dias de hoje, seja em CD, mp3 ou o que mais ainda esteja por vir. Mais vendido da carreira dos Beatles, o álbum marcou a vida tanto daqueles que amam a banda quanto dos que são completamente indiferentes à sua trajetória.
O importante, em tudo isso, é a sua continuidade. Um disco dos Beatles nunca morre, porque fica sendo ininterruptamente executado pelas velhas e novas gerações em algum ponto do planeta, porque é reinventado por artistas e comentado nas escolas, porque é interpretado em porões e nos grandes palcos, porque é vivo e não se abate com a invulnerabilidade do tempo.
O Abbey Road – assim como cada palavra ou acorde criado pelos quatro mais famosos sujeitos de Liverpool – se transformou em uma espécie de espírito constantemente presente, evocando a genialidade e a transgressão sempre que o mundo e sua tua inexplicável linha do tempo necessitar.
Abbey Road faixa a faixa
Come together, right now!
Marca registrada de John Lennon, a faixa foi encomendada por Timothy Leary – intelectual considerado o pai da contracultura por seus experimentos com LSD durante a década de 1960 -, que na época concorria ao governo da Califórnia com o slogan Let’s it Together. Em meio a contratempos, ambos perderam o contato e a música acabou esquecida. Durante a produção do disco, Lennon resolveu colocar a música logo na abertura do álbum, sem suspeitar que magoaria profundamente o pobre Leary, vagando de prisão em prisão e obrigado a ouvir Come together o tempo inteiro. Mais tarde, o beatle explicou o porquê do famoso barulho feito na introdução da faixa. “Queria dizer algo como shoot me, ou seja, atire em mim, injete em mim, na gíria usada por viciados em heroína”. Em 2006 o produtor George Martin afirmou ser esta a sua música favorita de toda a carreira dos Beatles.
Something
Mais famosa canção de George, Something foi escrita a sua esposa Patti Boyd, e considerada uma das melhores canções de amor da segunda metade do século 20 por ninguém menos que o ícone da música norte-americana Frank Sinatra – cantor que chegou a regravar a canção e mesmo depois de muito tempo continuava acreditando que a composição se tratava de mais uma das muitas feitas pela dupla Lennon/McCartney. Baseada na música Something in the way she moves, de James Taylor, a música foi escrita durante a produção do White Album.
Maxwell’s Silver Hammer
“O pior momento ao lado dos Beatles foi certamente a gravação dessa faixa”. É isso que declara Ringo Starr, depois de relembrar os três dias de trabalhar e a visão de Lennon desistindo do que era “mais uma ideia estapafúrdia de Paul”. Cheia de humor negro, a excêntrica canção conta a história de um maníaco homicida que saía pelas ruas matando a todos com seu martelo de prata. Além da forma diferenciada de tocar a bateria, Ringo ainda colaborou com a canção tocando uma… bigorna. Existiu mesmo algo que os Beatles não fizeram?
Oh! Darling
Nessa faixa, Paul volta a brincar com a própria voz tentando imitar os cantores da década de 1950, que carregavam um tom rouco por passar a semana inteira fazendo apresentações. Para atingir o vocal gritado e rasgado tão característico da famosa canção, McCartney fez diversas incursões aos estúdios de Abbey Road em plena madrugada, um pouco no objetivo de conseguir o tom e a força necessária (pois acreditava que sua voz no início do dia era melhor para isso), e um pouco para não ser interrompido ou criticado pelos demais Beatles, tendo assim o estúdio inteiro somente para si.
Octopus’s Garden
Uma das canções mais carismáticas do álbum, Octopus’s Garden é a segunda colaboração de Ringo como compositor. Inspirada em uma viagem a ilha de Sardinia, próximo a Italia, a faixa fala sobre a vida dos polvos, e o fato de que, para se protegerem, costumam juntar pedras coloridas em frente a suas tocas, como uma espécie de jardim. Apesar de Harrison ter colaborado na composição – cena que pode ser vista no filme Let It Be – os créditos acabaram sendo apenas de Star.
I want you (She’s So Heavy)
Com sete minutos de duração, a sexta faixa do Abbey Road é quase um mistério. Encerrando o lado A ao agrado de Lennon, a canção criada e executada pelo músico é tanto uma canção de amor quanto um furioso exemplo de rock progressivo. Além da letra de duplo sentido, a levada blues e os efeitos sonoros, I Want You termina abruptamente, como um choque depois de tantas transformações em uma só faixa. Até hoje não se sabe se esse foi um pedido do músico ou se o rolo da fita acabou no meio da sessão. E foi justo durante as finalizações dessa música que todos os Beatles estiveram tocando em um estúdio pela última vez.
Here comes the sun
“Escrevi essa música na época em que a Apple parecia uma escola: assine isto, assine aquilo… Parecia que o inverno duraria para sempre, então um dia tirei folga para ir a casa de Eric Clapton, e o alívio de estar naquele jardim ensolarado era tanto que peguei o violão e escrevi Here comes the sun”. A canção acabou sendo gravada apenas por seu compositor, George Harrison, junto com Paul e Ringo, pois na data John estava se recuperando de um acidente de carro.
Because
A atmosfera de perfeita harmonia em Because tem uma explicação. Baseada no Moonlight Serenade, de Ludwig van Beethoven, a canção teve cada um de seus vocais gravados em linhas de microfone diferentes, e logo depois sobrepostos três vezes. Mesmo sem participar efetivamente, Ringo foi convocado a presenciar as sessões dentro da sala de estúdio, apenas para “dividir aquele momento de harmonia”, segundo o engenheiro de som Geoff Emerick.
You never give me our money
Este é apenas o começo de uma grande obra dentro de Abbey Road, uma espécie de pout-pourri formado pelas canções inacabadas da dupla Lennon/McCartney. A letra, que reflete a insatisfação dos integrantes com os rumos financeiros da banda, remete a culpa ao a agente Allen Klein. “Ele só nos dava papéis e mais papéis e quando perguntávamos sobre dinheiro e a situação da Apple, ele desconversava dizendo que éramos músicos e não homens de negócios”, afirmava Paul. Podendo ser dividida em três partes, a canção começa em estilo clássico, e logo se transforma em Magic Feeling, trecho no qual a voz de McCartney lembra os cantores dos anos 1950 ao falar sobre desemprego e falta de perspectivas. Na seqüência vem One sweet dream, parte da faixa que descreve um sonho dourado, algo como uma volta por cima. Em meio aos arpejos de George, um baixo inspirado e sons de grilos e outros insetos, You never give me your money termina com a obscura frases” todas as crianças boazinhas vão para o céu”, antes de emendar com Sun King.
Sun King
“Quando para mucho mi amor de felice corazon/Mundo paparazzi miamore chicka ferdy parasol/Cuesto obrigado tanta mucho que can eat carousel”. Com vocal triplo, a letárgica Sun King tem sua letra formada por palavras em inglês, espanhol, italiano e português. Segundo Lennon, o grupo começou a brincar de falar outras línguas e decidiu misturar tudo em uma canção. “Inventamos algumas palavras, enquanto outras tiramos de jornais, como Los Paranóias, de uma notícia sobre a gente”, contou John, que começou a compor a música após a leitura de uma biografia sobre o Rei Sol Luís XIV, da França. Deixando de lado algumas interessantíssimas lendas, na música é possível ouvir a única palavras em português (obrigado) presente na discografia da banda.
Mean Mr. Mustard e Polythene Pam
Compostas durante a viagem à Índia em 1968, as duas canções de Lennon são algumas das mais vibrantes do disco. Curtas e colocadas em ordem e sem interrupção, baseiam-se num fato real descrito por um jornal sobre um homem miserável que escondia dinheiro onde podia para que as pessoas não o forçassem a gasta-lo. Além disso, a segunda canção reflete um encontro de Lennon com a namorada de Royston Ellis – famoso personagem da história da banda por ter introduzido-os nas drogas – durante a qual ela estava vestida com uma roupa de polietileno. Circula também a versão de uma história sobre Pat Hodgett, fã dos tempos do Cavern que costumava comer polietileno e era conhecida como Polythene Pat.
She Came in Through the Bathroom Window
Nesta faixa, Paul conta o epísódio relatado por Mike Pinder no DVD Classic Artists Series: The Moody Blues, sobre o dia em que uma groupie entrou pela janela do banheiro e passou a noite com Ray Thomas, também membro do famoso grupo de rock psicodélico. Mais complicada do que aparenta, a canção que finaliza o medley demorou dois dias para ficar pronta, após intermináveis 39 takes de guitarra base e bateria que quase enrolouqueceram George e Ringo.
Carry That Weight
Em Carry That Weight, Paul repete as críticas a Allen Klein, mas desta vez incluindo no meio das farpas os próprios companheiros de banda. “Boy, your gonna carry that weight for a long time”, ou “Rapaz, você vai carregar esse peso por um bom tempo”. Paul poderia estar cantando para Lennon, algo como “se você deixar a banda, vai carregar esse peso para sempre”, ou para si próprio, que tentou ser o gerente da banda após a morte de Epstein. No filme Imagine, de John Lennon, ele afirma: “Paul estava cantando sobre todos nós”. Foi John, justamente, o único a não participar do medley, pois ainda se recuperava do acidente de carro que sofreu com Yoko e seu filho Julian.
Golden Slumbers
Esta é uma das mais conhecidas músicas de McCartney em Abbey Road. Criada após o beatle ter visto em um livro de sua meia-irmã Ruth, um poema de Thomas Dekker, datado do século 17, em formato de canção de ninar, Paul achou-o muito tranqüilizante, mas não consegui ler a melodia na partitura. “Então peguei os versos e coloquei minha música neles”. Ele também tentou atingir sua voz num ponto alto como se fosse uma ópera, porque acreditava se tratar de um tema muito época, que merecia o grandioso tratamento.
The End
Este não é apenas o (esperado) encerramento do disco, mas também de toda a carreira dos Beatles antes da separação. Sua frase final, composta por McCartney, ecoa como uma espécie de epitáfio da banda. “E no final, o amor que você recebe é igual ao amor que você faz”. Segundo Lennon, “The End é Paul McCartney. A última frase carrega uma filosofia cósmica que prova que quando Paul quer algo, ele consegue”. Como o próprio nome sugere, a faixa era pra ser a última do disco, não fosse um detalhe…
Her Majesty!
Após segundos de silêncio total, Her Majesty surge como um presente surpresa depois de tantas pérolas. Após retirar a canção de apenas 23 segundos do meio do disco, Paul pediu ao engenheiro de som John Kurlander que a retirasse e a destruísse. Seguindo a norma da EMI de jamais jogar fora algo dos Beatles, ele adicionou a canção ao fim da ordem, sem avisar. Assim, incluída por engano na fita master e gravada junto com o restante das faixas, a canção inspirada no fato de o grupo receber os títulos de Membros do Império Britânico das mãos de Elizabeth II acabou sendo aprovada por Paul e mantida na versão oficial.
Depois do final, um suspiro de vida parecendo querer dizer que o sonho não acabou.
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