Os Armênios

Crise final traz nova história para antigo enredo

Postado em 29 de julho de 2009

O termo “crise” nos quadrinhos da editora norte-americana DC Comics é sinônimo de um desastre universal iminente que irá mexer com a realidade dos super-heróis.

É esse o enredo que pautou as duas outras minisséries que usaram o rótulo: Crise nas Infinitas Terras, na metade da década de 1980, e Crise Infinita, há poucos anos.

E é o que se vê, pela terceira vez, em Crise Final. O primeiro número da minissérie começou a ser vendido neste início de semana (Panini, 36 págs., R$ 5,50).

A concepção é a mesma. Diferentes versões do planeta Terra, cada uma com uma realidade própria e paralela, correm o risco de serem extintos. E os heróis têm de impedir.

No meio do caminho, como é de praxe, alguns dos personagens serão redefinidos e outros morrerão. Já há uma perda logo neste primeiro número, um integrante da Liga da Justiça.

Tantas crises, que já deveriam ter sido finais há mais de 20 anos, são respostas editoriais a dois comportamentos do mercado norte-americano de super-heróis.

Um é a necessidade de criar megaeventos que interliguem os títulos mensais da editora, de modo a turbinar as vendas de Super-Homem, Batman e companhia.

A promessa de repaginar os heróis também tem a ver com isso. As mudanças são uma maneira de atrair novos leitores, que encontram um ponto zero para iniciar a leitura.

Outro motivo que leva às sucessivas crises vistas nos últimos três anos é a concorrência. E a concorrência atende pelo nome de Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men.

A Marvel também tem feito suas sucessivas crises. Mas, na realidade ficcional dos super-heróis da empresa, as palavras-chave são “guerra” e “secreta”.

A primeira foi Guerras Secretas, nos 1980. Houve há pouco Guerra Civil, que pôs herói contra herói. A mais recente é Invasão Secreta, publicada atualmente pela Panini.

Na prática, as editoras entram num círculo vicioso, difícil de escapar. Pautam tais eventos para superar uma eventual perda nas vendas. Mesmo que seja reciclando velhas fórmulas.

(Paulo Ramos)

Fonte: Blog dos Quadrinhos

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