Os Armênios

Sexo, culpa e ingratidão no 42º aniversário de mamãe

Postado em 7 de junho de 2009

por Felipe Attie

Era aniversário de Mamãe e resolvemos comemorá-lo junto ao de Gabriel, um amigo da família. Uma única festa para dois aniversariantes. Para quem curte exclusividade, como eu, isso deve ser uma merda. Mas, graças a Deus, eles não são como eu e as coisas estavam indo bem demais, com bebida em excesso, churrasco e conversa fiada. Na época, eu tinha recém terminado um relacionamento duradouro — desses que quando terminam você se pergunta “onde estive esse tempo todo?”. Mas, apesar do término turbulento, eu e minha ‘EX’ continuamos com uma amizade agradável, a ponto de ela ter sido convidada para a tal festa — o que não foi uma boa idéia…

Quando vi seis garotas dobrarem a esquina em direção a minha casa, reconheci uma delas logo que mergulhei o olhar em seus seios e perguntei a Gabriel se era realmente quem eu pensava ser.

“Sim”, respondeu Gabriel. “É a Ju, sua prima Elen e umas amigas.”
“Ainda tem bebida suficiente?”, perguntei.
“Acho que sim. Por quê?”
“Porque vamos precisar de mais.”

Confesso que não imaginei o quão longe iriam minhas intenções, e sequer se elas se transformariam em atitudes. Caso contrário, garanto que bloquearia meu instinto inconseqüente, evitando assim, colocar o 42º aniversário de Mamãe no hall de eventos desastrosos da família. Mas o problema é que eu nunca tenho noção da repercussão dos meus atos e não faço idéia do quão fundo eles podem me levar. Desculpe Mamãe.

“Tome”, disse a Ju, entregando-lhe um copo como boas-vindas.
“Obrigado”, ela sorriu, de maneira safada e costumeira.
“Sua irmã não veio?”
“Minha irmã ta de coleira”, debochou. “Desde que começou a namorar que ela não conhece outro caminho senão o da casa do cara.”
“Que merda.”
“Que merda.”
“Ainda bem que eu saí dessa vida”, disse, com a intenção de deixar claro que estava só e disponível.

A festa estava indo de vento em popa e, após a segunda ou terceira viagem rumo ao depósito de cerveja, eu já não olhava para nenhum lugar, senão para os seios de Ju. Vi poucos seios tão belos quanto aqueles, que pareciam pedir para serem chupados. A filha da puta era tão gostosa e safada que, ao perceber o poder de hipnose que seu par de seios tinha sobre mim, começou a se insinuar com saliências e tudo mais que pudesse fazer meu pau desejar romper minha calça jeans e pular entre suas pernas.

Durante longos instantes, me peguei refletindo sobre minhas intenções em pleno aniversário de Mamãe e o respeito que eu, como filho, deveria manter. Não seria nada bonito, educado ou respeitoso, eu me atracar no banheiro, no quarto, ou no corredor, com aquela bisca. Afinal, era óbvio que o clima entre nós estava pra lá de sexual. Desejávamos transar, fuder, trepar, ou seja lá do que queira chamar. E tava difícil de resistir. Sendo assim, num dado momento, enquanto eu ia em direção ao fundo do quintal para pegar garrafas necessárias para comprarmos mais cerveja, agarrei Ju pelo braço e a arrastei comigo.

“O que você ta fazendo?”, ela perguntou, sorrindo como uma putinha oferecida.
“Até agora, nada. Mas vou fazer.”
“Não.” Ela se afastou. “Aqui não. E sua ex-namorada?”
“Você já se respondeu”, afirmei. “Minha EX-namorada.”
“Não quero problemas.”
“Vou te dar o que você quer.” E coloquei sua mão entre minhas pernas. Fiquei surpreso com a facilidade com que ela segurou meu pau e, ali mesmo, começou a manuseá-lo com invejável maestria. Meus olhos já estavam virados de prazer, quando notei seus joelhos dobrarem e sua boca semi-aberta ir em direção ao zíper da minha calça.

“Ei, garota!”, resmunguei, levantando-a e sacudindo-a como quem, inutilmente, tenta despertar um sonâmbulo. “Agora, eu é quem digo que AQUI não!”
“Achei que você quisesse.”
“Se quero… Mas quero fazer o serviço completo. Afinal, é meu nome que está em jogo.” Agarrei-a mais uma vez pelo braço e a arrastei para a cozinha. A cozinha pode não ser o melhor lugar para se fazer as melhores coisas, mas foi o mais longe que consegui ir antes que meu pau explodisse de tesão. E, considerando que eu tinha uma ‘refeição’ pra comer, até que fazia sentido estarmos ali. Quando me dei conta da situação, eu que parecia um sonâmbulo mergulhado naquele suculento par de seios. Só após quase 15 minutos de degustação que notei seus piercings nos mamilos, coisa que odeio. Mas, diante da situação, quem era eu pra reclamar de dois pininhos de aço inoxidável? As coisas estavam bacanas, com a cozinha se mostrando ser um excelente quarto de motel. Até que…

Existem situações que, por piores que possam parecer, acontecem para te passar uma lição, um ensinamento, aprendizado, ou coisa do tipo. Outras, por outro lado, acontecem apenas para te fuder a vida. Minha EX-namorada aparecer na cozinha exatamente naquele momento, com certeza, foi uma dessas.

“Podem continuar o que estão fazendo”, disse minha EX, tentando esconder o ódio que a consumia. “Faz de conta que não estou aqui.”

Se eu fosse um personagem de um filme e tivesse intenções de reatar meu romance, juro que diria algo do tipo “Não é nada disso que você está pensando.” Mas, como o aniversário de Mamãe não era um filme e eu não tinha a menor intenção de voltar para aquela que me rejeitou na cama inúmeras vezes, o máximo que o álcool me permitiu dizer foi: “Tem certeza de que não quer se juntar a nós?”

“Babaca” foi o que me lembro ter ouvido, antes de vê-la sumir no quintal, em meio ao emaranhado de gente que parecia bem mais numeroso do que quando entramos na cozinha.

“Venha cá.” Puxei Ju novamente pelo braço rumo ao meu quarto. Afinal, meu pau estava muito duro para descer sem cuspir e quem já sentiu dor nos colhões por causa disso, sabe do que estou falando.

Ao entrar no meu quarto, Ju abriu mais uma vez o seu risinho à la puta e eu nem precisei instruí-la para começar o serviço. Realmente é o tipo de garota que poderia fazer fortuna no ramo pornô. Apesar da falta de variedade nas posições, ela sabe valorizar um pau duro. Fez minha pica inteira desaparecer dentro de sua boca como num truque de ilusionismo de por inveja em qualquer discípulo de Houdini. Daí pra frente, eu só me lembro de ter entrado e saído freneticamente de entre as suas pernas, enquanto sua buceta permanecia cada vez mais quente e úmida. Fora isso, não me lembro de mais nada! Não me lembro dos convidados; não me lembro do gosto do churrasco; não me lembro da marca da cerveja; não me lembro se serviram salgadinhos; sequer me lembro dos aniversariantes! Só me lembro de ter entrado e saído freneticamente de entre as pernas de Ju.

Mais ou menos no auge da festa — ou na metade da madrugada, como queira chamar ¬—, eu já não via mais graça em continuar com aquilo, enquanto todos se divertiam lá fora. Comecei a me preocupar com a possibilidade da bebida acabar e eu ficar de bico seco, mas não sei dizer por que simplesmente não parei com toda aquela fudeção e não saí pra beber com o restante dos convidados. Ao invés disso, continuei ali, entrando e saindo de Ju, exaustivamente, até os primeiros e tímidos raios de sol me apresentarem os primeiros momentos do dia seguinte.

A festa terminou com os últimos convidados indo embora pela manhã, Ju sendo carregada pela sua prima e eu sentado na varanda, porque minha cama estava fedida demais numa mistura de resíduos corporais com restos de bebidas, bebericando as últimas garrafas de cerveja restantes. Tempo depois, eu soube que Ju teve um filho e, apesar de ter ficado feliz pelo menino não ser meu, fiquei triste com a notícia. Pois sei que aquele par de seios jamais será o mesmo depois de uma criaturinha recém-nascida chupá-lo diariamente. Tive a sorte de tê-los saboreados no auge, e não na queda.

Enfim, é mais ou menos isso que me lembro do 42º aniversário de Mamãe. Sempre que comento sobre essa data, tenho minha consciência abalada pelo peso da culpa e o fantasma da ingratidão. A culpa por ter protagonizado tal cena na festinha da minha progenitora, e a ingratidão por nunca ter agradecido a Gabriel pelo presente que ele me deu no dia do seu aniversário. Valeu mesmo, cara!

* * * * *

Visceral Literário

Felipe Attie é redator e jornalista na hora de trabalhar, escritor e cartunista nas horas de lazer e hipocondríaco quando não tem o que fazer.

Aqui n’Os Armênios, o kolunista de Visceral Literário apresenta seus textos insólitos & ilustrações peculiares. Felipe também mantém um blog, que é de onde essa koluna se ramifica. Confira clicando aqui.

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1 comentário

Gabriel Terra

- Capaz, cara !!! Nao tem de que !!! HAHAHAHA !!! Mto fera a historia!!!!

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