Os Armênios

Livro faz homenagem tímida aos 40 anos do Pasquim

Postado em 4 de junho de 2009

Há exatos 40 anos, em junho de 1969, o leitor brasileiro tinha contato com a primeira edição de O Pasquim. Não demorou para que se tornasse um dos instrumentos de resistência do regime militar (1964-1985).

Hoje, a sábia distância do tempo permite afirmar com mais certeza o que já se percebia na época: o jornal deixaria sua marca. No país, no jornalismo, nos quadrinhos nacionais. Por isso, e por muito mais, é justificável e até desejável uma edição para marcar as quatro décadas de vida da publicação.

O que não era de se esperar é que a obra fizesse uma acanhada homenagem.

O Pasquim 40 Anos! – Edicão Comemorativa (Desiderata, 40 págs., R$ 39,90) traz 31 capas originais do jornal. Outra, inédita, foi feita por Millôr especialmente para a obra. Millôr, um dos integrantes da trupe original, assina um dos quatro textos do livro. Os outros são do desenhista Jaguar, do jornalista Sérgio Augusto (também equipe original) e do chargista Chico Caruso.

E só. Não há uma contextualização maior do jornal. Ou de sua importância para a linguagem jornalística. Ou aos quadrinhos. O acanhamento aumenta se visto que os textos de Augusto e Jaguar aparecem espremidos, lado a lado na primeira orelha da capa.

Melhor homenagem faz a mesma Desiderata com outro livro, lançado ao mesmo tempo. Trata-se da terceira antologia do jornal (376 págs., R$ 79,90), organizada, uma vez mais, pela dupla Sérgio Augusto e Jaguar.

O contato com os textos originais de O Pasquim apresenta o que a publicação representou e revela, curiosamente, que muitos dos temas permanecem atuais. Violência urbana, crescimento desordenado das cidades, até quedas de avião. Tudo é (re)lido com os olhos de hoje. Mas com o contexto de ontem. E o humor de sempre.

Ao leitor de quadrinhos há um interesse especial. Ziraldo, Henfil e companhia influenciaram e serviram de molde inicial a vários desenhistas que surgiam na década de 1970.

O jornal, para os quadrinhos, funcionava como um suporte privilegiado de publicação. E ajudou a levar os diferentes gêneros quadrinísticos ao leitor adulto. Os cartuns – em particular os de Ziraldo – são a maioria desta terceira antologia, que reedita os jornais dos números 201 a 250 (de maio de 1973 a abril de 1974).

Mas há também os quadrinhos tradicionais. E os de Henfil (1944-1988), autor singular que sempre merece menção à parte.

Os dois livros marcam uma volta da carioca Desiderata às antigas edições de “O Pasquim”. As duas antologias do jornal, lançadas a partir de 2006, tiveram forte repercussão na imprensa e nas vendas. Tornaram-se rapidamente a galinha dos ovos de ouro da editora.

E foi o que cacifou a empresa a ser vendida ao grupo Ediouro na virada de 2007 para 2008. Desde então, as reedições do jornal continuavam apenas nas estantes de colecionadores e na memória de uns poucos privilegiados.

(Paulo Ramos)

Fonte: Blog dos Quadrinhos

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