Os Armênios

Álbum faz documentário com versões caricatas de animações

Postado em 6 de junho de 2009

Há um dado na concepção de “Três Dedos: Um Escândalo em Quadrinhos” que ajuda a singularizar o álbum: trata-se de um documentário feito na forma de quadrinhos. Os depoimentos lidos no álbum – à venda em livrarias e lojas de quadrinhos (Gal, 144 págs., R$ 39,90) – abordam um fictício mistério que pauta o título do livro.

Há também outro fato que contribui para particularizar a obra. Os entrevistados são versões caricatas dos primeiros personagens dos desenhos animados norte-americanos. O enredo do álbum parte da premissa de que esses personagens eram atores reais, que atuavam nas animações das décadas de 1930 em diante.

A ideia do escritor e desenhista Rich Koslowski refaz toda a trajetória dos pioneiros dos desenhos animados nos Estados Unidos, com fatos que realmente aconteceram. O foco está na trajetória de Walt Disney. Ou Dizzy Walters, como é mostrado no álbum.

As entrevistas com as animações, que ajudam a conduzir a narrativa do documentário ficcional, reconstituem os primeiros projetos dele. E o encontro inicial com Mickey Mouse. Mickey Mouse, não. Correção. Na obra de Koslowski, é o ator Rickey Rat. Mas o visual, a exemplo de Disney/Dizzy, é o mesmo que marcou o personagem.

Rickey Rat é mostrado em dois momentos. No passado, é mostrado como o camundongo feliz e sorridente que todos conhecem, que firmou parceria com Disney/Dizzy. No presente, fuma, está barrigudo e deprimido. Aperece na entrevista em que relembra o início da carreira e o sucesso que alcançou, a ponto de ser copiado por outros atores.

O mesmo ocorre com outras versões caricatas de animações da época. E não só da Disney. Há várias menções aos personagens dos Estúdios Warner Bros (ou Warmer Bros.). São mostrados como eram nos desenhos e como estão hoje, vistos nos depoimentos.

Três Dedos: Um Escândalo Animado conquistou nos Estados Unidos, em 2002, o prêmio Ignatz de melhor graphic novel. O prêmio é dedicado a obras em quadrinhos.

É curioso que um trabalho tão singular tenha demorado tanto para ser publicado no Brasil. Ainda mais num mercado tão ávido por novidades estrangeiras. A ideia é singular, em todos os aspectos. E tem referências de sobra para quem aprecia as animações da época. O único senão é o desfecho que, claro, não será revelado aqui.

Koslowski antecipa no meio do álbum qual é o escandaloso mistério que dá título à obra. Isso tira um pouco o interesse do que vem na sequência. E o ar de novidade se perde.

(Paulo Ramos)

Fonte: Blog dos Quadrinhos

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