Os Armênios

Duas obras diferentes. Mas com o mesmo estilo de Milo Manara

Postado em 17 de maio de 2009

Depois de ser incorporada pela IBEP/Companhia Editora Nacional, a Conrad tirou o atraso dos lançamentos, que vinham sendo adiados desde o ano passado.

A editora pôs no mercado nos últimos dois meses, numa tacada só, uma série de álbuns nacionais e estrangeiros. De Milo Manara, foram duas obras.

Clic 4, lançado agora em maio, e Verão Índio, vendido desde o mês passado, trazem histórias bem diferentes. Mas têm em comum o estilo marcante do desenhista italiano.

Não importa tanto qual seja o teor da trama. Ele dá um jeito de destacar mulheres em situações provocantes e sensuais, características que o tornaram famoso.

Seria de estranhar se o estilo que marcou Manara não estivesse presente à exaustão nesta sequência de Clic (56 págs., R$ 24,90). O tom erótico é a marca da série.

Um aparelhinho, quando acionado, consegue aumentar o nível de excitamento de Claudia Christiani, a protagonista dos álbuns e também desta quarta parte.

Ela volta à vida da alta sociedade, agora casada com um influente advogado. Ele defende uma poderosa indústria química, acusada de usar metanol em alimentos.

Como consequência, várias pessoas perderam a visão. Inclusive o pai de Angelina, moça provocante que pretende usar a tal maquininha em Claudia para chantagear o advogado.

Mas, dada a premissa básica da obra, o enredo é o que menos vai interessar ao eventual leitor. O que ele procura são mesmo os desenhos provocantes de Manara.

Tanto que não só o corpo da protagonista é fartamente explorado. Angelina é mostrada à exaustão nas mais diferentes posições, explicitamente ginecológicas.

E, quando um homem entra no quarto, Angelina faz questão de registrar: “Estou sem calcinha! Já vou avisando!”. Pura provocação, claro.

Este quarto capítulo mostra que a série já perdeu muito da novidade inicial e começa a se desgastar. Mas há o atrativo de ser a única parte ainda inédita no Brasil.

Ao contrário de Clic, Verão Índio (152 págs., R$ 49,90) tem uma preocupação maior com a narrativa. O texto é escrito por Hugo Pratt, autor da série Corto Maltese.

Desde que foi lançada, a obra tem sido incensada por críticos e pela imprensa mais do que deveria. Tem um texto correto. Mas nada mais que isso.

O destaque é mesmo a parceria entre Pratt e Manara. É o segundo trabalho conjunto dos dois autores. O outro El Gaucho, foi publicado no Brasil em 2006, também pela Conrad.

Verão Índio inicia com uma jovem sendo violentada por índios. Os agressores são mortos por Abner, filho de uma enigmática e corajosa mulher.

A moça é levada à cabana da família, que passa a se preparar para a vingança dos índios. É o mote central da história, que revela aos poucos segredos sobre os personagens.

Embora seja uma trama de mistério, ação e vingança, o estilo de Manara inclui um quarto elemento ao enredo de Pratt: o erotismo.

A sensualidade e a nudez do corpo feminino estão na jovem vítima de agressão, também nas formas e atitudes da provocante Phillis, irmã de Abner.

São as marcas do estilo de Manara. É o que o tornou mundialmente conhecido e o que ele desenha melhor. E o que deve atrair os leitores aos dois álbuns da Conrad.

(Paulo Ramos)

Fonte: Blog dos Quadrinhos

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1 comentário

Alessandro

Olá Paulo. Não acho que Verão Índio seja uma obra incensada pela crítica. O texto de Prat possui uma complexidades rara uma hq. A partir de um acontecimento terrível ( o estupro da jovem pelos índios), mas que era banal naquela época, o autor fez uma espécie de genealogia da América desmascarando com a fachada de hipocrisia dos colonizadores puritanos. Além de fatos históricos, e acredito que Prat por meio de seu texto conseguiu reproduzir de maneira bastante fiel o contexto social daquele período, essa obra também se destaca por dialogar com com a literatura clássica americana, pois evoca cenas de Último dos moicanos, e sobretudo a atmosfera gótica de A letra escarlate, obra-prima de Nathaniel Hawthorne. Quanto à arte como você disse dispensa comentários. Portanto, acho que você está equivocado quando diz que o texto é apenas correto, uma vez se fosse assim, a obra não seria tão cultuada entre aqueles que apreciam os quadrinhos como manifestação artística. Abraço.

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