Os Armênios

Álbum reúne histórias em quadrinhos inspiradas na trilogia Matrix

Postado em 14 de maio de 2009

Tome como base o universo criado em torno dos filmes da série Matrix, dos irmãos Larry e Andy Wachowski, e faça uma história em quadrinhos com base no que viu.

    A frase sintetiza a proposta feita aos autores que integram The Matrix Comics, que começou a ser vendido neste mês em lojas de quadrinhos (Panini, 164 págs., R$ 42).

    Este primeiro volume traz 12 histórias curtas, feitas por nomes conhecidos do mercado norte-americano de quadrinhos.

    O dado curioso é que todos preservam o estilo narrativo que os tornou reconhecidos.

    O inglês Neil Gaiman é um bom exemplo. O escritor, que hoje enveredou para o campo da literatura, construiu a história na forma de um conto curto.

    As ilustrações apenas servem para acompanhar o texto do criador da série Sandman.

    Bill Sienkiewcz é outro caso. O traço estilizado dele, composto por rajadas de luz mescladas a um desenho próprio, é revisitado, agora no universo da Matrix.

    Até Peter Bagge se repete. O tom irônico de seu traço é reconstruído numa história curta, de três páginas, que mostra a saída de jovens de uma sessão do filme.

    Afora a presença do estilo de cada autor, a coletânea consegue cumprir a meta, a de trazer novas tramas baseadas nos longas-metragens.

    Como normalmente ocorre numa coletânea, a qualidade das histórias varia muito. Há sacadas melhores, outras piores. Caberá ao leitor eleger as que preferir.

    Mesmo sendo uma escolha mais subjetiva, duas parecem se destacar. Uma, curiosamente, foi feita antes da trilogia, exibida em 1999 e 2003 (os dois últimos da série).

    É a que abre o álbum e tem roteiro dos irmãos Wachowski. É semelhante ao conto “Eu, Robô”, de Isaac Asimov. Uma vida artificial tem de se defender de um assassinato.

    Os desenhos da história dos Wachowski é do detalhista Geof Darrow. O desenhista criou o visual da série para o cinema e é um parceiro antigo da dupla de criadores.

    Outro destaque da coletânea é uma história escrita e desenhada por David Lapham, conhecido entre os leitores brasileiros pelos álbuns de Balas Perdidas, da Via Lettera.

    Um homem entra na Matrix – mundo artificial criado por máquinas que aprisiona os humanos – e fica abandonado. A nave dele, saída para o mundo real, foi atacada.

    O restante da tripulação morreu. O corpo dele fica à espera de um resgate. A mente, no entanto, permanece viva e atuante na Matrix. O impacto disso é o mote da trama.

    Há outros quadrinhos – e não só quadrinhos – baseados em Matrix. O subtítulo volume 1 evidencia isso ao comprador. Se a obra prosperar, é de se esperar outra.

    O elenco de autores é um dos atrativos, nem que seja para revisitá-los. Alguns não têm histórias publicadas no Brasil há anos.

    Outro interesse pela publicação é secundário. Ela retoma um tema caro à história dos quadrinhos e que tem, hoje, poucas produções lançadas no Brasil: a ficção científica.

    Mesmo se descartada a referência quase obrigatória aos filmes, ainda assim o leitor tem a rara oportunidade de ler quadrinhos do gênero de Flash Gordon e Buck Rogers.

    (Paulo Ramos)

    Fonte: Blog dos Quadrinhos

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