Os Armênios

“Como pode parecer Stones nessa língua?”

Postado em 18 de maio de 2009

por Marina de Campos


Depois da aventura de abrir todos os shows dos Oasis no Brasil e fazer o público vibrar em Porto Alegre, o líder da Cachorro Grande Beto Bruno conta com exclusividade ao Segundo o impacto disso em sua visão não apenas como músico, mas também como grande fã, e as consequências de uma experiência capaz de mudar sua vida e transformar os rumos da banda.

“Como pode parecer Rolling Stones nessa língua?!”. Foi essa a pasma exclamação de ninguém menos que Liam Gallagher ao ouvir o som da Cachorro Grande. “Que banda, que músicas! Vamos tomar uma cerveja depois do show. Vocês são demais, são mesmo do rock”, afirmou o vocalista dos Oasis a um quinteto boquiaberto, incapaz de assimilar tanta felicidade. “A gente não tem nem como explicar qual é a sensação”, desabafa ao Segundo o vocalista Beto Bruno, que depois de levar à loucura mais de dez mil gaúchos no Gigantinho no início desta semana, segue agora para o interior de São Paulo, “só que dessa vez sem os Oasis”, conforma-se o músico.

Em entrevista ao Segundo, na tarde desta sexta-feira, Beto Bruno falou dos inesquecíveis shows realizados nos últimos dias, a visão como fã, sua opinião sobre o show na capital sul rio-grandense e ainda um pouco sobre o novo disco, intitulado Cinema. Confira aí.


Então, como foi fazer a abertura dos Oasis, uma das maiores bandas de rock do mundo, na tua visão de músico?


Beto Bruno -
A gente tá tão confuso ainda, parece que nós estamos acordando de um sonho. Agora mesmo eu estou dentro de um ônibus viajando pra cidade de Marília, no interior de São Paulo, e já estou pensando: pois é, tudo certo, mas agora os Oasis não vão estar lá. Terminou. Foram quatro shows que mudaram a minha vida, nós aprendemos muito assistindo tudo atrás do palco, acompanhando as passagens de som, prestando atenção em cada detalhe. Musicalmente, foi uma coisa inexplicável, isso da gente ter ficado tão perto dos gringos. Nós já tínhamos feito show abertura pros Stooges e pro Supergrass, mas um só show, e em situações diferentes, em festivais, e não uma turnê. Isso tudo foi incomparável.

E na visão de fã, como foi isso?

BB – Como músico foi uma experiência ótima, e como fã, eu não tenho nem como explicar qual é a sensação. A galera de Passo Fundo que me conhece sabe que eu vivi anos andando com os discos dos Oasis pra cima e pra baixo, dá pra dizer até que eles são um pouco culpados por eu ter ido embora pra Porto Alegre e ter criado uma banda. Eu trabalhava em uma loja de discos aí, então via os clipes deles na MTV e dava vontade de sair correndo e montar uma banda de rock. Então isso tudo pra nós é uma coisa surreal, ainda nem caiu a ficha. Com o tempo a gente vai caindo na real, e o primeiro impacto foi agora, que a gente tá seguindo pra três shows e esse sonho que foi abrir os shows dos Oasis vai ficando só na memória.

O que muda pra Cachorro Grande depois dessa experiência? E como foi tocar com Liam Gallagher observando?


BB –
Posso dizer seguramente que agora, quando subirmos em um palco outra vez, seremos uma nova banda. Com uma bagagem bem maior nas costas, a lembrança desse privilégio que nós tivemos, e tudo de bom que isso nos trouxe. Além de outros membros da banda, o próprio Liam assistiu a três dos shows de abertura que nós fizemos, e na primeira vez, que foi no Rio de Janeiro, quando nós sacamos que ele tava ali mesmo assistindo foi assustador, na hora nós ficamos apavorados. Pensar que o cara que a gente é super fã, que a gente assiste aos shows, está ali pra nos ver tocar, aplaudindo as músicas, foi uma chapação. A ideia deles era levar a gente junto pra abrir os shows no Chile e na Argentina, pois eles acharam a banda a mais legal de todas, a que mais tinha a ver, e a escolha mais certa pra abrir um show de rock. A gente fica feliz por ver que vale a pena caprichar no repertório, nos discos que a gente grava, pois o retorno uma hora chega.

E quando é que essa história toda começou?

BB – Bom, tudo começou com a produtora brasileira, enquanto eles negociavam com os Oasis já começaram a pensar em uma banda pra abertura, e pra isso eles consultaram o fã clube brasileiro da banda, perguntando qual a banda que o pessoal achava que mais se encaixava pra abrir o show deles, e nós fomos sugeridos por uns 80% do pessoal. Aí a produtora mandou nossos discos pros caras, eles ouviram, gostaram e ainda fizeram questão de que nós abríssemos não apenas um, mas os quatro shows da turnê brasileira. Desde a confirmação até os shows, todo dia nós acordávamos tentando assimilar, tentando acreditar que tudo estava mesmo acontecendo.

O que vocês acharam do show em Porto Alegre?

BB - Foi o menor show de todos, mas em compensação foi onde o som estava mais alto, pelo fato de ser um lugar fechado e tudo mais. Na verdade, essa coisa do lugar ser menor, o palco ser menor, o som acabar tendo uma diferença, tudo pesa, mas pra mim é difícil falar porque é a nossa terra, nesse show é que estava a galera que nos acompanha desde o primeiro disco, desde o início mesmo, então existe uma relação bem legal. O pessoal do resto do Brasil nos conhece mais a partir do segundo disco, e no caso do pessoal daqui eles nos viam tocar em barzinhos pra quinze pessoas, e a gente valoriza isso. Todo mundo vibrou muito desde que entramos no palco, e deu o maior medo, por estarmos abrindo show pra uma banda tão grande como os Oasis, mas recebemos esse apoio legal da plateia por ser justamente um pessoal bem roqueiro. No fundo acho que só vou entender tudo que aconteceu daqui um mês, por enquanto eu ainda estou meio perdido (risos).

E o disco novo?


BB -
Pois é, o disco está aí, essa semana inclusive foi a primeira vez que ouvi ele depois de pronto. A capa já está pronta, o nome é Cinema, e nos shows já estamos tocando três músicas dele. Nesse de Porto Alegre, como era mais curto, tocamos apenas uma delas, intitulada Dance, e foi muito legal. O que posso dizer desse quinto disco é que ele não só é diferente de todos os outros, como dentro dele cada uma das músicas é bem diferente uma da outra. Assim como acontece com alguns álbuns que a gente gosta muito, como o Jardim Elétrico, dos Mutantes, o Álbum Branco, dos Beatles, o Houses of the Holy, do Led Zeppelin, onde cada música é uma música. E a gente sempre curtiu isso, não ser aquela banda de rock tradicional, não fazer um cd tradicional. E um dos motivos para o disco ter esse diferencial é o fato de todos os cinco integrantes da banda estão compondo, está vindo coisa de todo lado. Então tem mais diversidade, mais ideias acontecendo ao mesmo tempo, um processo que começou no disco anterior e nesse tomou mesmo conta, acho que fica bem claro agora que a banda são os cinco, todos colaborando, apostando nisso.

Vocês pretendem voltar pra Passo Fundo em breve pra lançar mais esse disco?


BB -
Claro! Sem dúvida alguma. O melhor da gente passar aí pelo sul é que se a gente consegue chegar cedo dá tempo de curtir um tempo pra passar com a mãe e com a vó (risos). É um motivo a mais pra visitar eles. E a gente sempre tem que passar por Passo Fundo, não adianta, a gente faz questão já que o pessoal sempre prestigia os shows, e uma galera acompanha desde o início, desde quando eu morava aí, gente que eu ainda tenho uma amizade muito forte, então é sempre bom. Mesmo com as condições meio difíceis pra tocar, na questão de estrutura e tudo mais, a gente sempre dá um jeito de tocar pra galera do rock. No último show que nós fizemos em Passo Fundo, inclusive, eu gostei muito, as músicas que rolaram antes e depois do show estavam de acordo, o clima tava legal, foi tudo certo. E em breve a gente deve estar de volta!

[Crédito da foto: Franco Rodrigues]

Publicado originalmente no Segundo Caderno do jornal O Nacional em 16 de maio de 2009.

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9 comentários

Joel

nao eh por nada, mas o Beto Bruno ja era cheio de si e sobiu em um pseudo salto alto que depois dessa nem com a mae dele ele vai mais querer conversar… Sinceramente, eles sao bom, mas isso eh mta babacao de ovo!

JESUS

JESUS!

Nic

aham, sei….

Boris, The Spider

Pois é, Cachorro Grande não é a mesma Cachorro Grande dos primórdios… Mas ainda é bom saber que uma banda de Rock bom, tem peso no cenário nacional, e não só “Som da Fruta”

H. Romeu Pinto

é isso aí, e digo mais!

Eduardo Taborda

Alguns foguetes elevaram a proporção da banda, espero que isso seja um estimulo pra proporcionar qualidade ao novo álbum, Cinema.

ben

é verdade sem mentira certo muito verdadeiro

Styfler

Bah eu sou muito fã da banda eu não axo que o sucesso está subindo na cabeça pois se estivesse subindo eles nem iam querer voltar para ká ( Passo Fundo) e eu não axo errado eles falarem bem do Oasis isso não é babação de ovo, pois os caras ajudaram eles ainda mais agora né concerteza aumentou os admiradores e o público eles têm que falar dos caras mesmo. E eu axo que eles tão conseguindo fazer uma façanha que nenhuma banda nacional conseguiu fazer muito bem que é evoluir em cada disco e esse disco eu acredito que se não for o melhor vai ser um dos melhores. Tô ancioso pra ver os kras no Moinho vai ser um baita show!!!

Emanuele D.

Eles podem babar ovo, pau, o que quiserem! Tão mais que no direito deles. Eles estavam na condição de fãs perto do Oasis, com certeza a emoção foi muito forte. Eles podiam ter linchado a banda deles, mas além dos elogios, ainda os motivaram a tocar nos 3 shows com eles! É motivo de sobra pra babar ovo e com muita dignidade.
E se o sucesso subiu ou não a cabeça… foda-se!
Humildade não é pré-requisito pro sucesso, e os próprios Oasis são a prova disso.

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