Brand New Start: what are you waiting for?
por Fabíola Hauch

27 de janeiro de 2009. Uma terça-feira que começou cedo, às 06:15 o despertador tocou e as três horas de sono foram suficientes pra pular da cama cantarolando o refrão de “Brand New Start”. Eu tinha comprado o ingresso do show do Little Joy pela web uma semana atrás, depois de assistir quase todos os vídeos da banda no YouTube. Afinal, não podia perder! Era logo ali em Porto Alegre, o ingresso não era tão caro e entre todos os outros motivos, uma ‘dívida’: não fui ao show dos Strokes em 2005 e prometi que se algum Stroke pisasse em terras brasileiras lá eu estaria.
Com a mochila nas costas sai de casa às 06: 45 da manhã do dia 27. O ônibus estava marcado para 07:00, box 6, poltrona 25. Foram quatro horas de viagem tranqüila, comemorando algumas vezes com todo o entusiasmo da Jú e da Gi! Chegamos à rodoviária de Porto Alegre e aproveitamos para comprar as passagens de volta, o dia prometia ser um dos mais quentes na capital (e foi!). Almoçamos no supremo Suprem, restaurante mais que simpático e aconchegante. A tarde passou rápida, sem deixar escapar um pulo na Cultura para agradar aos olhos. Chegamos perto das 20:00 na casa da outras Gi e depois de todas arrumações para o show, desembarcamos na frente do Opinião. Fila pra pegar o ingresso e logo estaríamos dentro do bar, que em cinco minutos parecia mais uma sauna com a casa superlotada -- cerca de 2.000 pessoas estavam presentes na noite do Little Joy.
Alguns copos de cerveja e às 22:54 com Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro subiram ao palco. Antes do primeiro acorde Fabrizio fez o público acompanhá-lo:
“Amarante! Amarante! Amarante!”, aí foi a vez do próprio Amarante: “Binki! Binki! Binki!” e “Fabrizio! Fabrizio! Fabrizio!”
Assim tudo começou, seguido do tom aveludado de “Play The Part” com direito ao público cantando com toda empolgação. Amarante tão emocionado ao final da música quanto o resto do pessoal, disse que quando pediram onde ele gostaria de começar a turnê brasileira, respondeu: “Porto Alegre, né?” e Fab completou: “Pela primeira vez na vida dele, ele tava certo.” Binki arriscou um “boa noite gente!” e antes do hit “The Next Time Around”, os músicos que acompanham a banda entraram: Matt Romano [que faz parte da equipe de produções dos Strokes e também é produtor e baterista no projeto solo de Albert Hammond, Jr.] nas baquetas, Noah Georgeson [produtor de Joanna Newsom, L.J., Devendra Banhart (e também toca na banda do músico hipongo)] na guitarra, glockenspiel e teclados, e Todd Dahlhoff - o filho do Frank Zappa -- no baixo.
Quem escuta Binki cantando português ao lado de Fab em “The Next Time Around”, não diz que a garota de Los Angles (que costumava cantar sozinha em seu quarto ‘very quiet’), tem um belo vozeirão, além de multi-instumentista. O show continua com “How To Hang A Warhol” e a pegada surf music dos anos 50, início dos 60, em “No One’s Better Sake”- influência que mescla praticamente todo o disco inspirado em Los Angeles e nas coisas & pessoas do ar californiano. A doce “Unnatainable” fez Binki sorrir surpresa com a resposta do público, com direito a um beijo duplo dos garotos da banda. A hora ‘mais calma do show’ embalou com “Shoulder To Shoulder” e “With Strangers”. O estouro de “Keep Me In Mind”, que é o Amarante cantando Strokes, levou o público ao delírio, literalmente. Binki assume o vocal e acalma com um cover de Helen Shapiro*, da canção “Walkin’ Back To Happiness”. Na mesma linha do álbum de estréia, a “New Song” é apresentada.
“Margarida has a strange appeal (…)”, chega a vez de “Don’t Watch Me Dancing”, com B. ainda nos vocais, a balada “Brand New Start” foi a última canção antes do bis. Nessa hora (creio eu), todos aclamaram o Little Joy como uma banda de verdade, e não mais a banda do baterista dos Strokes, do cara dos Los Hermanos e quando citado, a namorada do baterista dos Strokes. Minutos depois Amarante volta sozinho para interpretar “Evaporar”, composição tanto em letra quanto melodia, hermana. Todos retornam ao palco e nada melhor poderia fechar a noite que um cover improvisado dos Kinks, “This Time Tomorrow”. O relógio marcava 23:49.
A ilustre estréia do L.J. foi divertida a valer, Fab com seu português claro (mas ainda pedindo ‘a little help’) afirmou ser a primeira vez que todos se sentiam em casa:
“A gente tocou em muitas cidades deste mundo, mas essa é a primeira vez, eu acho, que a gente tá em casa. Eu digo isso de todo meu coração.”
O show foi tiro curto, Amarante brincou dizendo que enquanto ele ficava ‘afinando a guitarra’ o tempo se estendia. Rodrigo ainda contou um pouco de como o trio se formou -- quando pegou sua malinha e foi para casa do Fab, conheceu Binki, e dessa troca musical acabou saindo um disco. Um ano e meio se passou e o hermano joy volta pra casa e recebe o maior carinho de seus admiradores: o projeto que começou little ficou big.
Cada nota, cada palavra, transmite o sentimento que criou a banda… um novo começo…
*Helen Shapiro é inglesa, cantora e atriz. Nos anos 60, “Walkin’ Back to Happiness” ficou no primeiro lugar das paradas britânicas.
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Emanuele D. em mais um rock show
A ‘garota-Stroke’ que não perde nenhum show de róque, conseguiu falar com a banda na segunda-feira (26), véspera do show. A Manu não podia deixar de ver Fab tocar, fã de Strokes [e agora do Joy], ela escreveu um depoimento exclusivo para Os Armênios.

“Quem me viu entrando na Lancheria do Parque, em Porto Alegre, com uma mochila nas costas, havaianas nos pés, um cobertor vermelho, e um monte de muambas; jamais imaginaria a sorte que me aguardava! Sendo assim, escolhi uma mesa e sentei quietinha pra comer meu baurú e tomar uma Coca. Um amigo havia me dito que o Little Joy estaria ensaiando em um determinado bat local, e então pensou em mim e na minha “Stroke-neurose”, me convidando pra aparecer por lá! Assim, jantei e liguei pra ele para saber se estava tudo certo e decidi tomar uma Polar antes de chegar lá… Tomei duas, admito, só pra me acalmar! Ainda assim, senti o balaço pegando rápido e o fogo aumentando as pupilas logo que entrei no ônibus.
Chegando lá, fui recebida pelo meu amigo, a quem devo muitos agradecimentos… Pra ele isso não é nada, mas pra mim é meio-sonho realizado e meio caminho andado para a busca dos outros Strokes -- que não considero apenas um ato de groupagem, mas… é difícil explicar, “it’s hard to explain!”- então se você, meu caro amigo, ler isso… Mais uma vez: muito obrigada por tudo!
Eles estavam em uma sala nos fundos, mas me contive pra não ficar muito ás vistas para que eles não se sentissem incomodados com a minha presença. Por coincidência encontrei algumas amigas lá, e ficamos fumando na porta. Um tempo depois, Binki Shapiro passou por mim! Ela me olhou com um pouco de reprovação, pois eu estava com a babylook dos Strokes e certamente pensou que se incomodaria com o Moretti. Mas eu a surpreendi com a minha simpatia e o meu inglês mais-enrolado-que-bêbado-turco, entregando-lhe um pacotinho de presente e um cd da Texas Storm! “Pra mim?” (tipo: “pruá mim?”) -- ela perguntou.”Ye…yes, to you, pra você…” -respondi aos tremeliques. “Oh, thank you… you did? você fez?”, a emoção era tão grande ao vê-la se puxando no português que me peguei falando coisas aleatoriamente: -”yes… pra ti, to you!!” -- reparem o meu sorriso “discreto” na foto. O presente era uma presilha de cabelo com uma florzinha transparente, achei muito a ver com ela. Mais tarde ela me agradeceu de novo, abanando o pacotinho pra mim…
Quando Fabrízio Moretti passou correndo na minha frente, meu cérebro congelou por 10 segundos. E quando ele disse “Oi” eu tomei um gole de cerveja e apalpei a parede pra entender que aquilo realmente estava acontecendo. Naquele momento o que eu mais queria era um vidro de conserva vazio pra soltar um grito histérico! Se bem que até o fim do ensaio, talvez eu precisasse de um barril de vidro pra gritar tudo o que tinha… Esperei por sua segunda passagem para abordá-lo, sendo assim, usei o mesmo texto enrolado que disse á Binki e recebi um texto perfeito em português!!! Diga-se de passagem: um português melhor que o meu! Enquanto eu gaguejava, tremia e suava parecendo uma chaleira em ebulição, ele me olhava curioso.
Dei pra ele um embrulho com uma Polar e o livro de quadrinhos da Rê Bordosa (Angeli), dizendo: “I hope you like it!” então ele me abraçou e olhando maravilhado pra Polar, respondeu: “Eu vou adorar!” Reparem que na foto ele fez questão de mostrar o embrulho erguendo-o feito um Oscar! (risos)
Escolhi o livro da Rê, porque Moretti curte desenhos bem humorados… Ao invés de entregar algum dos meus, pelo qual não sabia se ele ia gostar ou considerar um tanto clichê (acredito que ele ganha desenhos de vários fãs), pensei em algo mais cultural e que fosse um belo companheiro junto da Polar, para lhe arrancar umas boas risadas na viagem de volta para o exterior. Todos da banda receberam um cd da Texas Storm, inclusive Matt Romano, que além de baterista da Little Joy, é da equipe da Wiz Kid Management -- que produz os Strokes -- e toca também para o projeto solo do guitarrista Albert Hammond Jr. Gostaria de agradecer ao Guilherme Louzada pela doação dos cds e a minha grande amiga Bee Bee, sua namorada, pela câmera digital! Obrigada meus queridos!
Minhas amigas acharam Rodrigo Amarante um pouco antipático. Acredito que não é preciso sorrir o tempo inteiro para ser simpático, é simplesmente o jeito dele ao lidar com as pessoas… e acho que isso demonstra um certo profissionalismo também, por estarmos no horário de ensaio, não sei se vocês vão me entender. Ele é atencioso, mas educado, mais contido. Algo que na minha opinião, muitos fãs de Los Hermanos interpretam mal, transformando em motivos para serem insuportáveis e arrogantes. Inclusive, ele se dispôs a tirar três fotos comigo quando eu disse que não curti a primeira! Noel Galagher teria virado as costas e me mandado parar de encher. Não puxei muito papo com ele, mas ele achou o cd interessante, perguntou de onde era a banda, disse que ia escutar e pôs no bolso da calça! Pensei em tirar uma foto, mas achei que ia pegar mal… (risos)
Ouvi um pedaçinho do ensaio lá fora, enquanto eles tocavam Brand New Start. Pensei em me aproximar mais, mas vi o produtor do Los Hermanos sentado no lado da Porta, esse sim parecia não querer saber de papo!
No fim do ensaio, aproveitei enquanto todos estavam reunidos em frente a porta e pedi uma foto em conjunto. Na primeira saí olhando pra trás, chamando Matt e Amarante, e a segunda certamente ficou digna de porta-retrato. Saí gorda e daí? Uma gordinha feliz! (foto acima).
Pude conversar um pouco mais com Moretti, dessa vez na minha versão mais serena e em português.
Eis o diálogo:
Eu -- “Fab, quando os Strokes voltam?”
Fab -- “Os Strokes? Fevereiro.”
Eu -- “Fe-fe… FEVEREIRO?!”
Fab -- Aaah! Pra Porto Alegre?
Eu -- “É! Sim.”
Fab -- Voltamos logo, este ano! Em fevereiro nós vamos começar as gravações…
Eu: -- Ah, o novo disco com o Pharrel Williams?
Fab: -- Isso, com o Pharrel… -- no mínimo ele deve ter recebido vários sermões de fãs que são contra o Pharrel Williams na produção do cd. Cá entre nós eu também fico com um pouco de dúvidas, mas gostei da produção do clipe em que Julian participou em comemoração ao centenário da Converse All Star -- já exibido aqui no site -, e estou confiante de que o próximo disco seja um monstro!
Eu: -- Sei. Boa sorte com as gravações, acredito que saia algo legal. Tu já tem alguma noção de como vai ficar?
Fab: Não sei…
Eu: Ah, vocês já devem ter algumas composições, né?
Fab sorrindo: Não sei…
Eu mexendo com Fab: -- Aaah que tu não quer me contar! (risos) Me conta vai…
Fab: Não sei, não sei mesmo! (risos)
Enquanto Fab ia até a van, se virou pra mim e disse: -- Ah, muito obrigado pelo presente, eu adorei!
Eu: -- Sério? Es-pe-pero que você goste, mesmo.
Fab: Eu vou gostar sim, vou gostar muito! (erguendo novamente o embrulho tipo um troféu!)
Este foi o meu pré-aquecimento para um dos melhores shows internacionais que vi até então. Não me apedrejem, pois não fui no Chuck Berry! E agora já podendo me apedrejar: mesmo que fosse, não sentiria o mesmo que senti em relação ao Little Joy. Eles apavoraram no cover de “This Time Tomorrow” dos Kinks, e me arrepiei com o vozeirão de Binki em “Unattainable”, com direito a beijinho duplo do Amarante e do Fabrizio no fim da música! Neste exato momento, procuro palavras pelas quais fui separando durante o texto para expressar fortes emoções… mas pra variar elas sumiram. Portanto, finalizo com uma frase dita por Fabrízio Moretti durante o show:
“Já tocamos em muitos lugares deste mundo, mas só aqui nos sentimos em casa de verdade. Falo isso do fundo do coração.”
Agora tirem as suas próprias conclusões.
Emanuele D.
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Segue abaixo os vídeos de cada uma das faixas que rolou no show do Little Joy, no Bar Opinião, em Porto Alegre:
Repetório
“Play The Part”
“The Next Time Around”
“How To Hang A Warhol”
“No One’s Better Sake”
“Unattainable”
“Shoulder To Shoulder”
“With Strangers”
“Keep Me In Mind”
Cover de “Walkin’ Back To Happiness”, Helen Shapiro
“New Song” (único vídeo que não é do show no Opinião [Porto Alegre]).
“Don’t Watch Me Dancing”
“Brand New Start”
Bis
“Evaporar”
Cover de “This Time Tomorrow”, do Kinks
*As fotos do show foram capturadas pela lente do fotógrafo Tadeu Vilani.






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