Enfim, Guerras Secretas
Entre o primeiro anúncio e a publicação foram mais de seis meses. Depois de sucessivos adiamentos, começou a ser vendida nesta semana a reedição encadernada de “Guerras Secretas”, um dos clássicos da editora Marvel Comics (Panini, R$ 49,90, 340 págs).
“´Guerras Secretas´ teve alguns problemas internos de produção, ligados a texto e arquivos”, diz por e-mail Fernando Lopes, editor sênior das revistas da Marvel no Brasil.
“Embora tenha sido relançada há pouco tempo nos Estados Unidos, alguns dos arquivos de imagens vieram com problemas.”
A primeira publicação da minissérie nos Estados Unidos foi entre maio de 1984 e abril do ano seguinte, em 12 edições.
A proposta era colocar os principais super-heróis da editora num megaevento que repercutisse posteriormente nas revistas mensais de cada um.
Foi em “Guerras Secretas”, por exemplo, que o Homem-Aranha ganhou um uniforme preto.
Anos depois, ele descobriu que o “tecido” que usava era, na verdade, o alienígena Venom (um dos vilões do terceiro longa-metragem do herói) e voltou ao velho traje.
Assim como essa, as mudanças trazidas pela minissérie não foram tão revolucionárias nem definitivas. Mas trouxeram muita expectativa a que leu a história na época.
A trama mostra um ser superpoderoso, Beyonder, que leva um grupo de heróis e vilões para um planeta construído por ele.
Beyonder faz uma proposta ao grupo: “Destruam seus inimigos e todos os seus desejos serão realizados”. ? a deixa para uma sucessão de brigas, traições e reviravoltas.
A minissérie foi escrita por Jim Shooter e desenhada por Mike Zeck e Bob Layton (duas edições).
No Brasil, foi lançada pela editora Abril em 12 edições quinzenais, entre agosto de 1986 e janeiro de 1987. Saiu no chamado “formatinho”, mesmo tamanho das revistas infantis.
A Abril lançou a história antes da hora. Temas abordados em “Guerras Secretas” só iriam aparecer depois nas séries regulares.
A solução da editora foi cortar personagens (a Capitã Marvel, uma das heroínas, nem aparecia na primeira versão nacional), adaptar diálogos e redesenhar partes do desfecho.
Anos depois, a mesma Abril relançou a minissérie na revista mensal “A Teia do Aranha”. Dessa vez, na íntegra.
? a mesma versão que a Panini lançou nesta semana.
Mas com duas diferenças: tradução refeita -e mais completa- e no chamado “formato americano”, como a história foi publicada originalmente nos Estados Unidos.
A edição traz também alguns extras, como o momento em que os heróis “convocados” por Beyonder e o que aconteceu com eles após a minissérie.
Recentemente, a Marvel usou o rótulo “guerra” para batizar outro megaevento da editora, a minissérie “Guerra Civil”. A sétima e última edição foi lançada em janeiro deste ano (leia resenha aqui).
Paulo Ramos
Fonte: Blog dos Quadrinhos

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