O Primeiro Dia: uma reflexão sobre a guerra na visão de um brasileiro
Não é na primeira leitura que as histórias do gaúcho Eloar Guazzelli dizem a que vieram. Ã? preciso um segundo contato para deixar as idéias amadurecerem. A mensagem, quando revelada, dá um tapa na cara no leitor, como se o estivesse alertando para as fraquezas, passividades e contradições que compõem a sociedade moderna. “O Primeiro Dia”, álbum que ele lança neste sábado em São Paulo (Editora Casa 21, R$ 25), é recheado dessas situações.
A obra traz 12 histórias curtas, publicadas pelo autor em momentos diferentes da carreira. Um fio une os 12 contos: a relação (in)direta dos homens diante da guerra, seja qual guerra for. Esse ponto de união entre as narrativas, no entanto, não é tão nÃtido. Falta ao livro uma introdução.
O que faz esse papel é a última capa, que traz um texto explicativo de Guazzelli. Nele, o escritor e desenhista, de 45 anos, explica que a obra se trata de uma reflexão sobre o mundo em que sua filha viverá.
Ao contrário dos anos 1960, ele não vê mobilização nos dias de hoje. “Eu escrevi só pata que minha filha um dia venha a saber que seu pai não estava distraÃdo”, diz ele, no texto. “Mas sinceramente o que eu espero é que ela venha a descobrir que eu estava enganado.”
Quem já ouviu Guazzelli falar uma única vez (geralmente empolgado) sabe que esse discurso politizado é parte integrante de seu DNA. Assim como também o é a tendência de fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo. Ele lançou em outubro outro álbum, “O Relógio Insano”, publicação independente editada pelos mesmos responsáveis pela revista mineira “Graffiti 76% Quadrinhos” (leia mais aqui).
Nos primeiros meses do ano que vem, ele lança um livro da coleção “Cidades Ilustradas”, também da Editora Casa 21. Ele desenhou Florianópolis. Fora esses e outros trabalhos, alguns deles premiados em salões de humor, ele ainda dedica tempo a um mestrado, feito na Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). A pesquisa é sobre o desenhista Renato Canini, que desenhou histórias do Zé Carioca para a Editora Abril nos anos 1970. Guazzelli qualificou a pesquisa nesta sexta-feira. A qualificação é uma espécie de preliminar da defesa, que ainda não tem data marcada.
“O Primeiro Dia” é uma obra de reflexão, que exige um tempo de leitura mais lento. O convite ao pensar começa já na capa, que mostra um Mickey Mouse acorrentado, vagando solitariamente pelo deserto. Ã? uma imagem instigante. Como a obra.
(Paulo Ramos)
Fonte: Blog dos Quadrinhos

Copyleft. Permitida a livre reprodução de todo o conteúdo do site. Pirateie e não peça para ninguém.