Os Armênios

Da série “Novos Clássicos”

Postado em 21 de novembro de 2007

Locomotores - capa do primeiro álbumO recém-lançado álbum da banda Locomotores (capa ao lado) é surpreendente, para dizer o mínimo. Sem exageros, se trata de um dos discos de estréia mais maduros da história do Rock! Como é possível um grupo chegar, logo de cara, com uma obra tão coesa e consistente?

A impressionante qualidade dos Locomotores, na verdade, se revela uma conseqüência. Em vários sentidos, eles se aproximam muito do conceito de supergrupo: uma banda formada por músicos excepcionais, oriundos de outros projetos de respeito, já tendo percorrido muito chão na estrada da música. Um time de categoria que simplesmente atropela a maioria das coisas que se pode ouvir por aí, especialmente no Brasil. Num cenário infestado por grupelhos adolescentes que mal sabem afinar os instrumentos, e preferem berrar ao invés de cantar, os Locomotores se sobressaem pela musicalidade. Nada de aparências, enfeites ou desculpas para desviar a atenção: o que conta é o som, e esse se revela denso e intenso em sua completude.petracco-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpg

Desde o início do novo século, o Rock foi tomado de assalto por um revival sessentista calcado na sonoridade inglesa, e que rendeu uma bela safra de bandas. Mas enquanto cenário e movimento artístico, é uma vertente que já estagnou, virou quase que um atoleiro, e deu tudo o que tinha que dar. A fonte do Rock britânico — especialmente o r&b, mod e psicodelia —, por mais rico que esse seja, já embebedou muitos grupos e hoje é o público que anda de ressaca. Novos rumos têm de ser apontados, novos caminhos precisam ser trilhados. E nada de promover cruzas esdrúxulas em nome da originalidade (que mania tacanha essa que os leigos têm de achar que o novo, o “original”, é um valor em si). Como em todas as manifestações no mundo da arte, o Rock só encontra seu espírito e descobre novas sendas ao dialogar com sua própria tradição.

Em termos de Brasil, os Locomotores representam um segmento pouco explorado, ou normalmente distorcido: o country e folk-rock. Se fosse para comparar, encontrar outro grupo similar na história do Rock, o melhor seria dizer que eles equivalem a The Band. E nisso já saltam na frente de outras bandas, marcando presença num território fecundo e pouco desbravado por aqui. O que é de se estranhar, afinal, que ilusão é essa que encobre a vista (ou seriam os ouvidos) do público? A origem e todo um arcabouço sonoro, estético e mítico do Rock se encontra fundamentalmente nos Estados Unidos. Essa constatação, um tanto óbvia, parece obscura por serem raros os grupos, aqui, que buscam força na raiz americana de onde gênero provém.petracco-6-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpg

E é dessa rica tradição musical que os Locomotores sacam timbres e texturas, tonalidades e matizes. Pode-se sentir o cheiro de country e western, hillbilly e honky tonk na musicalidade da banda. Temperos diluídos na massa sonora primordial do Rock. Mas toda obra de qualidade e relevância artística permite múltiplas interpretações, e revelam influências que são menos óbvias.

Apesar de se encaixarem na linhagem que vem de Dylan e a The Band, passando por CSNY e até os Allman Brothers — entre tantos outros —, em certo sentido o resultado alcançado pelo grupo soa muito como um Truth do Jeff Beck Group, um Let it Bleed do Rolling Stones, um An Old Raincoat Won’t Ever Let You Down dos Faces, e até os solos do George Harrison (que sempre quis ser como o Carl Perkins). Mas, se parece com tudo isso, definitivamente não é por influência direta, e sim por também serem estrangeiros recriando uma sonoridade fundamentalmente norte-americana.

mauricio-fuinha-voando-no-armenios-on-fire.jpg

Fuinha “voando” no festival Armênios on Fire, setembro 2006

É encharcado dessa essência que o disco dos Locomotores se mostra redondo e no tamanho exato. São 15 faixas em cerca de 42 minutos, todas distintas e esteticamente específicas. Nunca uma soa parecida com a outra, o que revela a versatilidade da banda e a maturidade de não se investir em fórmulas prontas. Aí está outro ponto forte, que remete aos primórdios do Rock, mas que encontrou o formato perfeito no modelo inglês: o single de 3 minutos. As faixas oscilam entre 1min 56s (a mais curta) e 3min 42s (a mais longa). Perfeito! Nenhuma enche o saco, nunca, e fica complicado escolher a preferida.papel-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpg

A produção gráfica toda, de capa e encarte, é visualmente do caralho. As imagens são ótimas, e apesar de não rolar as letras das canções, é muito divertido procurar nas fotos, que montam o painel das últimas páginas do livreto, referências para cada uma das canções. Completando o disco, rola o clipe vintage de Nessa Vida (dirigido por Bel Merel, dos Irmãos Rocha, e produzido pela Low Filmes). Fechando o pacote, com direito a tudo que um álbum desses merece, existe até um hotsite feito pelo Anderson Oliveira (o mesmo criador do site oficial dos Black Crowes), em que você pode ouvir cada uma das canções. O lançamento é totalmente independente, mas a banda é major!

Enfim, é um disco redondo, sem arestas, onde uma sonoridade consistente, adulta e bem acabada não deixa margem para críticas vazias nem furos amadores. De tempos em tempos, o Rock feito no sul apronta dessas: discos precursores que apontam para direções interessantes e que se revelam verdadeiros paradigmas para muitas bandas. Foi assim com A Sétima Efervescência (1997), de Júpiter Maçã, e com o Are You Sexperienced? (2001), da Cachorro Grande. Sem dúvida alguma, esse trabalho dos Locomotores é outro que vai marcar época, e cedo ou tarde será aclamado como uma pedra angular na história do Rock brasileiro.

Um bando de Loco!

fuinha-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmoMaurício “Fuzzo” Chaise é o principal vocalista, e faz a frente ainda encarando violões e guitarras de 6 e 12 cordas. Já atuou nos lendários Malvados Azuis (que morreram com um disco inteiro pronto, do qual só foi registrado um raro single de 3 faixas) e na Ludovicos, além de uma série de projetos menores. Guitarrista e compositor de mão-cheia, é dotado de um talento sem igual que já é meio sina de família: tem dois irmãos que se garantem nas seis cordas em projetos de respeito no cenário local do Rock no sul (o Rodrigo na banda Dinartes e o Miglu com a Severo em Marcha, Rabo de Peixe e Os Impressionistas). Como se não bastasse um currículo desses, hoje, o Fuzzo ainda se divide encarando a guita na banda Identidade (os stones brasileiros da fase It’s Only Rock’n'Roll) e acompanhando o lendário Júpiter Maçã.

bocudo-3-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgJerônimo “Bocudo” Lima, é um dos melhores baixista do Rock no Brasil. No álbum, toca ainda guitarra barítono. Como o Fuzzo, também veio da Malvados Azuis. Mas sua grande experiência foi ao lado da Cachorro Grande, com quem tocou por todos o país e esteve presente na gravação dos melhores álbuns da banda (além do Acústico MTV Bundas Gaúchas). Roberto Panarotto (da lendária banda Repolho, de Chapecó — SC) disse em seu blog (o genial Agito com Balalau) que o caso do Bocudo é semelhante ao de George Harrison: apesar de ter composto o primeiro grande hit da Cachorro Grande (a faixa Sexperienced), não tinha muito espaço dentro do grupo (apenas duas faixas em 3 álbuns), e nesse primeiro projeto após sua saída é o responsável pela maior parte das composições.

petracco-5-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgMárcio “Carrasco” Petracco, grande trunfo dos Locomotores, é uma verdadeira entidade do Rock feito no sul (para dizer o mínimo). No disco é responsável pela execução das guitarras, slide guitar, pedal steel, guitarra barítono, violões, bandolim e autoharp. O mestre foi um dos fundadores do TNT — uma das maiores bandas do tal Rock Gaúcho da década de 80, com enorme repercussão no sul do país — tendo gravado em praticamente todos os discos da banda. É também figura fundamental nos (respeitadíssimos) Cowboys Espirituais e o mentor do (ótimo e inacreditável) Trem 27. É responsável por muito da sonoridade peculiar dos Locomotores.papel-3-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpg

Alexandre “Papel” Loureiro é quem bate forte. Encara a percussão, bateria e os backing vocals. Com uma pegada marcante e quebradas precisas, vai além do papel tradicional de um batera ao conferir levadas criativas que incorporam e acrescentam elementos decisivos nas faixas. Antes dos Locomotores, encarava as baquetas na Garotos da Rua (outra peça do cenário gaúcho dos 80) e foi parceiro do Fernando Noronha na Black Soul.

luciano-3-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgCompletando o time temos Luciano Leães. É ele quem ataca no piano, hammond, wurlitzer, harmonium, pianorgan, além de backing vocals e até badolim. Também é o compositor responsável por algumas faixas e encara os vocais principais na música Mais uma Noite. Como Papel, também vem da Black Soul de Fernando Noronha e, hoje, ainda faz frente junto aos Acústicos e Valvulados. Nos Locomotores, é responsável por camadas e texturas fundamentais na massa sonora, no resultado final da musicalidade do grupo.

Faixa-a-faixa!

Confira algumas curiosidades e análises de cada uma das faixas do álbum dos Locomotores, acompanhada de comentários do baixista Jerônimo Bocudo.

1 – Máscara de ar (Chaise) 2:19

fuinha-3-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgUm Rock vigoroso e direto, para abrir o disco em altíssimo nível. Uma das melhores faixas de todo álbum. Sessão de voz com doce. Na versão demo, Fuzzo tocava todos os instrumentos.

Para o CD, a letra foi alterada um pouco, e a banda tratou de executar a música o mais próximo possível da performance original. Baita primeira faixa!

2 – Nessa vida (Bocudo, Jivago) 2:15

Uma das mais lisérgicas do álbum. Foi o primeiro single, e o MP3 circulava na Internet desde o ano passado. Também foi a primeira a virar videoclipe, dirigido por Bel Merel dos Irmãos Rocha, e produzido pela Low Filmes (para assisti-lo, basta colocar o CD no drive do seu PC).

Essa eu já tinha composto na época que estava na Cachorro Grande. Fiz ela no violão pra canhoto do Gabriel Guedes (guitarrista da Pata de Elefante). Chegamos a tocá-la uma ou duas vezes, mas eu não estava satisfeito com a letra e os “cães” não se pilharam… Quando fui afastado da banda, abri as gavetas procurando idéias e foi assim que gravei uma demo, com a letra sendo modificada graças a ajuda de um parceiro, o Jivago Willrich. Foi a primeira música que os Locomotores entraram pra gravar no estúdio, e ainda não contávamos com a produção do Luciano Albo. Foi uma experiência excelente para nos conhecermos dentro de um ambiente mais frio, que é o estúdio, cujo calor era obtido através das idéias para a música soar melhor. Teve espaço até pra colocar um bandolin.

3 – Compositor (Chaise) 3:20

fuinha-2-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgDe inspiração dylaniana, atira farpas para todos os lados e faz qualquer um que já tenha se envolvido com música se indagar, nem que seja num verso ou outro: “Será que essa foi pra mim?”. A faixa é tão marcante que foi objeto de um documentário em curta-metragem, que pode ser conferido no You Tube, produzido pela artista plástica Janice Martins.

Muita gente pensa que essa música foi feita por mim ou pelo Petracco pra alfinetar antigos parceiros. Nessa aparece a primeira guitarra barítono do CD, tocada pelo Petracco. Barítono é uma guitarra normal, adaptada para ser encordoada com cordas calibre 0.18 na primeira, e ser afinada sete semitons abaixo do diapasão.

4 – Ontem, hoje (Leães) 2:55

luciano-l-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgCom uma letra ótima, é a primeiro de autoria do pianista Luciano Leães a aparecer no álbum. Mantém o pique de hits enfileirados que o álbum apresenta desde a sua abertura. A banda possui várias idéias para fazer dessa faixa um videoclipe.

Acredito que o Leães tenha partido de um riff que compôs numa guitarra com cordas invertidas (ele é canhoto), e escreveu a letra na seqüência. A versão demo dela é bem crua, apenas com violão e voz, mas deu pra sacar o riff e gostamos da letra. Na gravação, as guitarras “fumam muito”, sonzeira mesmo.

5 - Midofuzzo (Chaise) 2:40

Hino boêmio, já composta antes da banda surgir e com Fuzzo tocando todos os instrumentos na demo. Alguns quebram a cabeça e não entendem o título.

O Maurício estava com dúvidas quanto a letra e o modo de cantar. Ensaiando bastante, fomos polindo, compondo o arranjo final, enquanto ele adaptava a letra ao seu gosto pessoal. No fim, todos ficaram satisfeitos com o resultado, e é um dos melhores rocks do disco.

6 – O gato (Bocudo) 2:15

Divertidíssima. Anima qualquer festa! Ao vivo, “pulou do oitavo andar e se fudeu”.

Numa viagem pra Lajeado com minha antiga banda, fomos fazer uma aparição na TV local junto com a banda Cidadão Quem, e o Luciano Leindecker tinha levado um baixolão. No momento que ele me deixou ver o instrumento fiz de cara o riff e, pra sair dele, fui pra progressão em “sol menor”. A essas alturas, o próprio Luciano já estava me acompanhando com um violão. De volta pra casa, minha ex-mulher brincava com o gato e eu observava enquanto tocava o riff… A cena toda e a trilha que eu executava me fazia lembrar desenho animado e ataquei a letra dentro deste contexto. A demo ficou bem tosca, mas tive a felicidade de ser compreendido pelos colegas de Locomotores em minhas intenções com esta música, que já tinha sido rejeitada na época de Cachorro Grande. Queria mesmo que tivesse uma ligação com Brian Setzer Orchestra e big bands tocando temas de desenho animado. E a criançada também gosta.

7 – Muito além das aparências (Bocudo) 1:56

petracco-3-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgComposição do Bocudo, é uma faixa instrumental. A Cachorro Grande até tentou colocar letra e trabalhar em cima, sem muito resultado. Integrou o repertório da Pata de Elefante por muito tempo, até ser resgatada pelo Bocudo.

Essa eu compus na época em que morava com o Gabriel Guedes, da Pata de Elefante. Ele toca tanta guitarra que pensei: “preciso fazer uma música maravilhosa para este cara tocar tudo o que sabe”. Falhei, é impossível ele tocar tudo o que sabe. Mas, mesmo assim, a banda dele tocou por mais ou menos um ano esta música em shows, e está ótima assim mesmo, instrumental. Usamos uma “cama” de pedal steel e inserimos uma modulação na parte final, pra terminar “pra cima”, mesmo sendo uma música que gera sensações de saudade, ou até de “deslocamento”. Antes de ter esse nome, chamávamos simplesmente de “vinheta”. É a mais curta do CD.

8 – Tudo o que eu queria (Bocudo) 3:24

Uma das melhores letras de todo o álbum, marcante pelo seu lirismo poético.

Entre compor a harmonia, cantar a melodia, gravar a demo e dar a música como pronta levou apenas duas horas, de uma madrugada solitária em julho de 2005. Só posso dizer que é uma balada urgente, romântica, de muito sofrimento e que me lembra George Harrison… misturado com Roberto Carlos. Eventualmente, posso ter acertado mais no Roberto Carlos. Mas gosto, via veracidade da música, e slide-guitar com wah-wah e tudo mais…

9 – Será que ela… (Bocudo, Jivago) 3:42

O clima pesa, soando tenso, graças as camadas e texturas utilizadas. Destaque para o solo de guitarra ácido e virulento, com raízes hendrixianas (ou seria Cream?).

Compus esta no violão, e não tinha idéia pra letra. Mostrei para o Fininho e o Jivago, separadamente (e sem um saber do outro), e fizeram abordagens diferentes. Eu e o Maurício tratamos de “ajustar” o conteúdo da letra, mantendo idéias. Gostei da ligação entre a harmonia e o sentimento de dúvida e ansiedade. No disco, está entre duas baladas, o que acaba conferindo pra esta canção um tanto “textural” o título de “a mais chapante” do CD. Entre contrapontos e contracantos, ainda achamos espaço pra tocar de forma não usual um Autoharp. E um baixo sem trastes.

10 – O meu olhar (Bocudo, Fininho) 3:29

bocudo-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgParceria com Léo Fininho, que escreveu a letra. Compositor de mão cheia, Fino é parceiro de diversos roqueiros que já gravaram várias canções suas, como O Sapo e o Jabuti (com Carlos Bolacha, registrada no álbum de estréia da Rabo de Peixe) e Superbarato (dos Malvados Azuis, que circula pela internet equivocadamente como sendo uma faixa da Cachorro Grande). A gravação conta com a participação especial do Cauê (ex-baixista dos Faichecleres) nos vocais de apoio.

Seguindo a tradição Lennon-Macca de juntar duas músicas pra fazer uma, essa canção também tem duas partes distintas. A primeira, “O meu olhar”, uma composição que fiz ainda na minha antiga banda, e que não foi aproveitada, cuja letra o Léo Fininho escreveu de uma vez só, enquanto eu passeava inúmeras vezes pela harmonia. A única coisa que fiz foi trocar a palavra “tristeza” por “pureza”. Essa troca dá um conteúdo mais positivo pra canção A segunda parte eu costumo dizer que é a hora que chegam os alienígenas e seus discos voadores no CD. Um tema quase instrumental, com muita textura vinda dos dedos do Leães e guitarras doentes do Petracco e do Maurício. Compus pouco antes de existir a Locomotores, e a harmonia peguei emprestada de um pedaço da primeira parte para realizar a ligação entre os dois temas. Nessa música, sobrou até uma “beira” pra eu tocar uma guitarra barítono. Enfim, é uma das que eu mais gosto.

11 – Linha reta (Loureiro, Petracco, Leães, Chaise, Bocudo) 2:34

papel-2-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgUma composição coletiva do grupo. Escolhida para ser o single quando o álbum ficou pronto.

Já no segundo encontro da banda compusemos essa. O Alexandre apareceu com algo bem próximo da batida desta música e uma pequena variação harmônica. Fizemos uma intro e iniciei a letra, ao que cada um veio e deu continuidade ao tema. Essa fala muito bem sobre a banda, tanto da forma cooperativa que trabalhamos quanto o modo com que nos posicionamos diante da vida.

12 – Vermelha (Chaise) 2:57

A predileta de muitos fãs. A personagem existe mesmo e a história toda é real. O MP3 dessa também já circulava pela internet desde o ano passado.

Segunda música que gravamos, praticamente junto com “Nessa vida”, produzida pela própria banda. Mais uma música que o Fuzzo apareceu com a demo tocando tudo, e sacamos no ato que era um hit em potencial. Nas referências, Stones e Supergrass, sem esquecer de um pouco de Malvados Azuis. Baita Rockão! No CD, faz o papel de retomar a aceleração para encaminhar o disco pro final.

13 – Meu bem (Chaise) 2:34

Já registrada no raríssimo single da banda Ludovicos (projeto que reunia Fuzzo, Cauê — baixista dos Faichecleres por uma curta duração — Rodrigo e Zitto — dos Dinartes — interpretando canções inspiradas na obra Laranja Mecânica, inclusive com letras em Nadsat). Talvez, a mais radiofônica do álbum.

A versão dos Ludovicos era muito boa! O que fizemos foi corrigir algumas coisas na parte da construção da música, e colocar a pegada dos Locomotores na execução. Na minha opinião, a bateria dessa música é das melhores do disco, formidável mesmo! A Rickenbaker de 12 cordas deu um ar sessentista pro som, meio Byrds, meio Who, acentuado ainda pelos vocais “lá-lá-lá-lá” que tem no arranjo final.

14 – Mais uma noite (Leães) 2:21

bocudo-e-leaes-ao-vivo-no-festival-armenios-on-fire-fotos-por-aline-do-carmo.jpgOutro Rock forte, com letra tipo cafajestagem. Composta e cantada pelo pianista Luciano Leães.

Uma fortíssima aceleração em mais uma composição do Luciano Leães. Essa música é algo como Stones e AC/DC ligados na tomada, com uma letra meio bêbada e despretensiosa. Chamávamos essa de “Rock Desvairado”, “Rock Loco” ou ainda “Rock do Leães”. Inicialmente não tinha modulação harmônica pra dó maior, mas colocamos esse “tom e meio” em cima pra dar a idéia de crescimento que vigora na parte final desse Rockão. É Locomotores na quinta marcha…

15 – A festa (Bocudo) 3:07

Pra encerrar o disco em altíssimo nível! Leva muitos a concluírem que a banda deixou o melhor para o final. Coincidência ou não, é o mesmo título da última faixa do Run Devil Run, do Paul McCartney. Pelas intervenções sonoras ilustrativas, lembra a versão dos Mutantes para Chão de estrelas, ou ainda A luta contra a lata ou a falência do café.

Aconteceu tudo exatamente como fala a letra: casal rolando pelo chão, bebidas intermináveis, banda boa tocando, polícia… Tudo mesmo! Minha idéia foi fazer uma música alegre e pictórica, que lembrasse as coisas das trilhas de filmes do Fellini, ou mesmo uma “bailanta de gringo”, algo como The Clash tocando numa Oktoberfest… Abusamos de efeitos e instrumentos, tais como guitarra barítono, pianorgan (que é uma espécie de acordeão na horizontal), autoharp, baixo sem traste, bandolin e o que mais apareceu. Divertidíssimo! Pra acabar o CD em clima alegre, tentando deixar o ouvinte com vontade de ouvir tudo de novo.

Galeria de Fotos:

Todas as fotos que ilustraram a matéria, e muitas outras, estão na galeria abaixo. Para visualizar as imagens em tamanho grande, basta clicar sobre elas. Todas foram feitas pela fotógrafa e produtora cultural Aline do Carmo, durante o festival Armênios on Fire, na cidade de Passo Fundo, em setembro de 2006.

Links:

Rodrigo de Andrade (GARRAS)

« anterior próximo »

31 comentários

Gab.

Pá…pum!!!

=)

Fabi

Pá… pum, BOOMMM!!!

Garras fino, hein?!

Texto fodástico.
Puta disco.
E os Loco uma banda de alto nível!!!

Daia Ruiva

“Sem dúvida alguma, esse trabalho dos Locomotores é outro que vai marcar época, e cedo ou tarde será aclamado como pedra angular na história do Rock brasileiro.”

Falou tudo, Garras, baita texto!

Baita disco… baaaaaita banda!!!

renato f.

ô, bela resenha, as fotas são clássicas…show do caralho….

talitha

Mazaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
excelente!

Vitor Hugo

Agente está sempre correndo atraz do melhor, qndo na verdade muitas vezes o melhor está do nosso lado, parabéns pela banda, pelo som, por todo o trabalho.
aos amigos , um simples abraço…
grande persença;

caprípede hilário

O austríaco Hans Steininger tinha uma barba de quase um metro e meio. Num dia de 1567 teve um incêndio em sua cidade e na fuga Hans esqueceu-se de enrolar sua barba, pisou sobre ela, perdeu o equilíbrio, tropeçou e quebrou o pescoço. hahahaha

Fernanda Peres Rocha

Táquepariuviumen!
Garras matou a pau tanto quanto Locomotores.
Me exibo com o cd aqui em São Paulo.
Lembro de chegar para Duda e Martin falando “vocês não sabem o que eu ganhei!!”. Eles enlouqueceram.

faccio

baita matéria!
que ouviu sabe a pedrada que eh esse disco.
pra mim até agora o melhor disco de 2007.

Amaiti

Baita disco, melhor defonoção!

Isso é bonito!

Amaiti

**definição

(há, eu que importei o CD pra SP! hahuahu)

A Fernanda já ficou com uma encomenda!

Dóro

O curioso é que a capa do disco dos locomotores é igual a do filme Deu Pra Ti Anos 70, primeiro longa-metragem que iniciou o ciclo urbano do cinema gaúcho e primeira produção pós-Teixeirinha (que dominou a produção cinematográfica gaúcha nos anos 70).

Dóro

vai dar um bom biógrafo de bandas, Seu Garras.

marmitt

Baitas fotos…. minha sócia…

Clébio

Baita disco!
Baita banda!
Baita matéria!
Baita fotos!

Mas o melhor ainda foi o fuinha voando.

Dudy

?tima matéria Garras! ? isso que o
verdadeiro fã gosta de ler; detalhes
interessantes do trabalho musical.
A faixa 3 Compositor é puro
Subterranean homesick blues.
7.Muito além das aparências é puro
George Harrison. E isso é bom.

caprípede hilário

Em 1985, para celebrar seu primeiro ano sem ter que lamentar nenhum afogado, os salva-vidas do departamento de recreação de Nova Orleans decidiram fazer uma festa. Quando a festa terminou, um convidado de 31 anos chamado Jerome Moody foi encontrado morto no fundo da piscina do clube. hehehe

Tainá Martini

Esses Locomotores… Discão, discão, discão… da série Novos Clássicos, sem dúvida alguma!
Muito boa a resenha Rodrigo!

!

moody se fudeu

!!

Não foi so o moody.
O Lupin se fudeu também.

Scorpion

Merda de banda!!!! Fanfarrões!!!!!

cão sem dono

nada de anormal … uma mistura de TNT com Cachorro grande … Caralho … mas é uma banda muito boa que dá pra escutar uma ou duas vezes depois voltamos a escutar o que a gente gosta mesmo … não é desconsiderar os cara … mas é exegeros … desculpe o autor mas … IOI !!!! tipo assim nada novo saca …

Raciocínio

Essa bandinha nunca vai ser nada demais… Novos clássicos é o caralho!!!

Brizola

Não precisa ser vidente pra saber q essa banda não vai sair do chão….

Markito

S???RÁ? S???RÁ? S???RÁ?

Hélio dos Passos

Fica Comigo Agora!

!

perto do rock careta q se anda fazendo por ai, naum eh dos pior

Maíra Martini

Bandão de primeira linha!! Baita texto Garras!

Vitor Hugo

cada vez mais rock desses caras ai.

renato f.

HOJE, SEGUNDA EDI??O DO TRINCHEIRA, O PROGRAMA DE ROCK DA RÁDIO UPF E DOS ARM?NIOS. ? NA 99.9 DAS 22:00 AT? MEIA NOITE. N?O PERDE!!!

!

NOVA CAMPANHA MUNDIAL :

SALVE O PLANETA, SE MATE

só com o fim da humanidade havera vida decente na terra.

Faça seu comentário

Obrigatório.

Obrigatório; não exibido.

Opcional.

Artigos recentes