Os Armênios

Rabo de Peixe

Postado em 4 de fevereiro de 2007

Eles trilharam um longo caminho, com honestidade e muito trabalho. Foram dez anos se apresentando nos palcos da cidade e região. Passaram por mudanças na formação e, no último ano, se dedicaram de corpo e alma ao projeto que atesta a maturidade e profissionalismo da Rabo de Peixe: um disco de composições próprias.

Já fazia algum tempo que o público ia conhecendo, através dos shows, as músicas dos guris. Eles sempre tocaram por aí: casas noturnas, festas partidárias e até na praça. Mas o repertório foi posto à prova mesmo na seqüência de apresentações no palco mais alternativo de Passo Fundo, no meio do mato, no Marmitt Rock’n'Place. Quem freqüentou as festinhas, com certeza, ouviu tudo antes. E eram desses momentos que entraram para a história que o pessoal ia espalhando os comentários do tipo “Tu ouviu a balada da Rabo?” ou até cantando os trechos mais legais das mais grudentas, como “Hoje é terça-feira, e o que é que você fez / Pra mudar o mundo / Amanhã, quem sabe, talvez…“.

Rabo de Peixe: formação do disco

Desde dezembro de 2004 a banda ia registrando e esmerilhando as faixas no Estúdio Café com Leite, com Evandro Lazzarotto cuidando da produção. O processo todo levou um ano e resultou numa bolacha com 10 músicas. No dia 10 de março, com um showzáço no 540 Pub, o álbum foi lançado. Os detentores do primeiros 100 ingressos levavam de lambuja o disco para ouvir em casa (os demais podiam comprá-lo baratinho no local). No palco, Bolacha, Miglu, Moco e Podrinho mandaram ver, apresentando todas as canções (com direito a reprise das que mais empolgaram o público), fazendo bonito e tocando com tesão. As covers não ficaram de fora, e revelam muito do universo musical que inspira os caras: Rolling Stones, Los Hermanos, Supergrass, Mutantes…

Uma semana depois era a vez de Porto Alegre. Dia 18 de março o show foi na Cave Rock. A investida seguinte foi uma apresentação no programa Radar, da TVE, ao vivo, para o estado e além. Nova festinha por aqui, no dia 15 de abril, novamente no meio do mato. Dois dias depois, dia 17 então, a capital é atacada de novo. Agora no já lendário palco do Dr. Jekyll (por onde todas as grandes bandas alternativas gaúchas passam). De olho nas possibilidades, dois integrantes do grupo já estão bem instalados em Porto. Miglu e Moco vão agilizando as coisas, se enfiando nas brechas e ficando de olho nas oportunidades.

Rabo de Peixe: Single n'Os ArmêniosFernando Rosa, jornalista musical por trás do conceituadíssimo site Senhor F, escutou uma prévia do álbum ainda em janeiro. Elogiou as composições e se surpreendeu com o trabalho das guitarras. Quem quiser conferir o som é só entrar no Trama Virtual ou esperar o lançamento do single virtual n’Os Armênios (uma prévia da capa aí ao lado, em primeira mão). Três faixas do disco estarão lá, disponíveis para qualquer um baixar. É a oportunidade de conhecê-los e ampliar horizontes, constatando que Rock fundamentado e de qualidade pode estar mais perto do que se imagina.

(Luther Blissett)

O Disco

Todo trabalho de estréia é marcante, para a banda e para o público. É o grito primal. A materialização de uma postura e um compromisso. É a partir do primeiro tiro que tudo se desenrola.

O disco da Rabo de Peixe exala referências interessantes e também traz uma marca única, original. É difícil olhar a capa e não associar a uma coletânea de raridades do Velvet Underground. A obra abre com uma pauleira instrumental. Não sei se por opção, mas a verdade é que Anti-Stress não precisa de letra. Te faz entender tudo e provoca reações automaticamente: o pé bate, a cabeça balança, o corpo se agita prá frente e prá trás. Dá vontade de sair batendo e descarregando toda tensão. Apostam alto na abertura e deixam o ouvinte pensando se vão conseguir manter o nível. Mas rola. Eu quero chegar mantém o clima e o ritmo do disco. Tudo segue envenenado até que Você pode se perder por aí dá uma baixada na bola, mas com uma senhora categoria. Talvez seja a melhor canção do disco. Prá mim é. O lance segue com Tempo Bom, que é a balada do Moco. Sobre ela, o Bocudo já resumiu tudo: a mulherada adora. É grudentona, e isso é um elogio.

O Sapo e o Jabuti é velha conhecida. Esse blues-rock foi composto lá por 1998, e é uma parceria do Bolacha com o Fininho. Aliás, os mais atentos já se ligaram que o Fino é o melhor e compositor do Rock passo-fundense (e o mais obscuro ao mesmo tempo). Já está no repertório da banda a bastante tempo e é legal pacas! É a melhor faixa do disco. Antes eu menti.

O lado B é mais introspectivo. Em Você Diz…, Até o amanhecer e, principalmente, Sobre o mar eles soam como Los Hermanos. É uma influência marcante, queira a banda admitir ou não. E isso é bom para calar a boca de qualquer um que venha com o aquele papo batido de parecer com Rock antigo e datado. Quer algo mais atual que isso?

Rabo de Peixe

As coisas vão se encaminhando para os finalmente com Eu tô ligado agora é, no meu Rock’n'Roll. É um som de “sangue-doce” (putz… pareci meu pai agora). Tem um pé nos 60 e outro nos 70. Algo como aquelas bandas nacionais do tipo Casa das Máquinas, O Terço… sei lá. E disco vai fechando com Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Outra instrumental redonda, fechando o trabalho com categoria. E é até engraçado constatar que as duas instrumentais estão entre as melhores faixas, sendo que os guris cantam legal e as letras são boas.

Mas então tudo são rosas? Não é bem assim. O disco tá bem legal, mas sempre podia ser melhor. O que? Tem pouco mais que meia hora. Claro que muitos clássicos do Rock não tem nem isso, mas o Rabo devia ser mais comprido. Chega no fim e parece que ainda faltam umas duas músicas. O disco foi bem bolado, mas falta algo. Talvez com um hit demolidor. Daqueles que agradam a crítica, a mim, e até a MTV. É querer demais? O cacete! A banda é legal, o disco tá muito bom, e é tri Rock… Falta pouco para ser ótimo. O quê eu não sei. Ou talvez seja abstinência por terem me dado só 36 minutos de algo tão bom. O jeito é reclamar, pois tenho certeza que os guris ainda tem muito o que oferecer.

>>> Baixe AQUI o single virtual da Rabo de Peixe <<<

Rodrigo de Andrade (GARRAS)

Os textos abaixo foram publicados originalmente no
jornal Cadafalso, durante o primeiro semestre de 2006.

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14 comentários

Nadia

Aguradando disco novo!
A Rabo tem muito a dar aos fãs ainda, vamo lá!
Parabéns, ótima banda!

Ville

Muito boa, não deve nada pra nenhuma banda do cenário independente aqui do RS nem do Brasil!!!

Mauricio

………
Se eu puder vou embora daqui, vou prum lugar que ja vai existir!
Eu não tenho que ficar implorando pra você.
Que minha beleza ja cansou, e além disso meu amor.
Eu tô ligado agora é no meu rock and roll!

….
….
do caralho…do caralho…

leo

Eu não sei mais, mas eu não ando bem não.
Sinto frio mesmo sob o sol,
Se eu puder vou embora daqui, vou prum lugar que ja vai existir.
Tenho medo de ficar doente, se te vejo, não é suficiente!

ótimo!

Mutante

Me lembra mutantes!

Maíra Martini

Grande de banda de rock.
Ducaralho!

Zitto

Baita profissionais !!!!!

Seka

Os cara são bom!

Marmitt

Baita banda… sou fã…

mas hein

to dizendo

Evandro Lazzarotto

seráaaaaaaaaa?se criou o rockinho………..

Pedro hehehe

Molto massa essa banda, mas tinha que tocar mais por ae…..
As musicas deles são dukaralho, e quando eles tocam Stay with me cagam de pau…….
Baita sonzera dos home…..

hahahahahahahahaha

Lucas Canhoto

Até o amanhecer é uma das melhores coisas que eu ouvi nos ultimos tempos. Quando ouvi, me lembrei imediatamente do dia em que ouvi ”agua que cai do céu”, dos Malvados Azuis e mal conseguia acreditar que aquilo tinha sido feito aqui, do meu lado.

tiziii

rabo de peixe é demaaais!
e eu sinto saudades do cadafalso..

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