Os Armênios

Sexo, mulheres-leopardo, fadas andrógenas e semideuses

Postado em 18 de outubro de 2006

Bibiana de Paula Friderichs

cremastercycle.jpgEsse é o universo caótico com o qual me deparei quando conheci o trabalho do artista plástico Matthew Barney, chamado The Cremaster Cycle, e que levou 08 anos para ficar pronto, entre 1994 e 2002. Organizado, originalmente, pelo Museu Guggenheim, de Nova York, ele reúne desenhos, esculturas, fotos e a projeção de cinco filmes, todos ligados pelos mesmos elementos: sexo e criaturas bizarras. Aliás, a expressão que dá nome a exposição não foi escolhida aleatoriamente, ela vem do grego ??kremastér? e refere-se ao músculo que controla a tensão dos testículos, bem como define a sexualidade dos indivíduos a partir das seis primeiras semanas de desenvolvimento de um embrião.

Tereza Santoro, doutora em semiótica, disse certa vez que a obra de Barney busca ??essa transcendência física e psicológica do organismo humano. Seus heróis são seres híbridos e tem como modelo o ser biológico em sua fase de indiferença pré-genital (embrionária), fase de pura energia potencial, aberta para as possibilidades. Concretizadas, essas criaturas espelham organismos autárquicos ou independentes: são organismos herméticos, fechados em si mesmos, sem sexo definido, ou organismos cibernéticos, uma mistura entre o natural e o artificial?.

cremaster quatro.jpg

Cremaster 4

.

Essa fauna de personagens, muitas delas encenadas pelo próprio artista ?? poderíamos avaliar que ele tem o mesmo interesse que Cindy Sherman na auto-reinvenção ?? e a proposta narrativa de Barney, que traz como marco a ausência da língua articulada, apontam para os três aspectos que considero mais relevantes na sua obra: a imagem como texto privilegiado, a não-linearidade de leitura e a polissemia dos sentidos.

Barney é pós-moderno, tanto no que diz respeito a execução de cada filme, quanto ao conjunto da obra. Isso porque, em primeiro lugar, ele é autor de textos que evitam uma seqüência óbvia de cenas em detrimento das performances de cores, sons e personagens; em segundo, porque ele apresenta cinco histórias que, apesar de estarem cardinalmente numeradas (1,2,3,4,5), não foram nem produzidas nem lançadas nesta seqüência.

cremaster um.jpg

Cremaster 1

.

No entanto, não se trata de uma negação da narrativa, mas da contemplação de uma narrativa de outra ordem, de modo que cada plano possa ser uma obra, e seu diálogo com os demais, se dê num movimento circular. O Cremaster é, então, o resultado de uma complexa edição de imagens que altera a noção de tempo, ralentando os andamentos que determinam o fluxo narrativo e os pontuando por processos repetitivos.

? essa lógica aparentemente caótica, associada as personagens e aos materiais cênicos, que desperta o nosso imaginário e desencadeia a transitoriedade e o pluralismo interpretativo. A complexidade da sua produção não nos permite atribuir-lhe um significado fixo, a-histórico, único para as imagens, mas encontrar os lugares possíveis dos sentidos, onde o real e o irreal dialogam. Um exemplo dessa condição recai sobre as figuras mitológicas que passeiam pelas cenas barnianas, em fotografias ou planos cinematográficos. Elas exaltam os significantes do corpo, de modo que suas formas são expandidas, deformadas e reconstruídas, numa variada gama de possibilidades, como um conto de fadas birrazo, povoado por seres assexuados.

cremaster cinco.jpg

Cremaster 5

.

Além disso, cada filme do Ciclo se encontra oficialmente instalado num palco real e a partir das referências reveladas podemos identificar cidades, prédio e campos de futebol. Entretanto, a associação entre esse palco e sua existência real sofre um processo de desconexão, no momento em que a dinâmica narrativa, sem referência evidente de tempo-histórico, e as criaturas que protagonizam cada performance, parecem irreais aos nossos olhos.
cremaster dois.jpg

Cremaster 2

.

Barney é considerado um erudito do estranho, mas também dos mitos tradicionais. Os elementos presentes em sua obra estão vinculados cultura popular e cultura de consumo, como por exemplo, o galão da Goodyear ou o estádio de futebol, em Cremaster 1, o sapateado americano, em Cremaster 4, os caubóis em Cremaster 2. Entretanto essa apropriação não pretende reproduzir, mas transformar o real, e para isso evoca o imaginário. ? uma deriva do sentido, de modo que a multiplicidade de referências e performances disponíveis não espera nos confortar, ao contrário, em vez de reforçar a idéia do que nós achamos que somos, vem como um desassossego, para nos inquietar.
cremaster tr?ªs.jpg
Cremaster 3

Obs.:

1. Robes taí o texto sobre o tal artista ??maluco??;
2. Jú agora tu faz o texto da Cindy Sherman!!!!!!!
3. O site oficial da exposição é www.cremaster.net


Legendas das fotos:

Cremaster 4 foi o primeiro da série. Ele acontece na Ilha de Man. Enquanto duas equipes manobram carros voadores, em uma competição, um semideus selvagem, rodeado de fadas andrógenas, executa um número de sapateado, para em seguida cair num túnel labiríntico de vaselina.

Cremaster 1 se passa no estádio de futebol americano de Bronco, Idaho, e traz como principais elementos cênicos uma diva platina, um grupo de ??showgirls? e dois balões da Goodyear.

Cremaster 5 tem como cenário a cidade de Budapeste, e reconta uma história popular européia, de amor e tragédia, vivida por uma rainha e um mágico no século XIX.

Cremaster 2 apresenta uma história real sobre o assassino americano Gary Gilmor. Ele se passa entre os campos gelados do Canadá até as planícies de Utha.

Cremaster 03
é último filme do Ciclo. A história é ambientada na Nova York dos anos de 1930. O próprio Museu Guggenheim vira palco para uma disputa entre o pedreiro e seu mestre, arquiteto do prédio.

« anterior próximo »

10 comentários

Fabí

CONSELHO:

Fabí

conselho:
não veja estas fotos comendo. São um pouco indigestas…
no mais, muito iteressante o trabalho do Barney.
até vejo uma certa conexão com um amigo em comum, né Robes!!!

Robes

Biba! Do caralho! Muito bom! Fazia tempo que eu esperava esse texto. Amei! Uhuuuuu!
Fabi Maracujá: Temos que mostrar este texto para o nosso amigo! Vai querer fazer um filme! hahahahahaha

Marcos

Muito bom o seu texto!

anelisa

isso e ridiculo seus idiotas

anelisa

que lindo e horroroso seus bobo

anelisa

jhAPYfjKQWFN0FNAS-FASKAF09FAEJ,.MASFKJHANFSFUAJFOIZFHVSOHSVIFKJGPVM?V

jmes silvs lima

oie
bom
linda

ana paula

transar

***** ****

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Faça seu comentário

Obrigatório.

Obrigatório; não exibido.

Opcional.

Artigos recentes

Copyleft Permitida a livre reprodução de todo o conteúdo do site. Pirateie e não peça para ninguém.
Login | RSS | Anuncie no site