Sexo, mulheres-leopardo, fadas andrógenas e semideuses
Bibiana de Paula Friderichs
Esse é o universo caótico com o qual me deparei quando conheci o trabalho do artista plástico Matthew Barney, chamado The Cremaster Cycle, e que levou 08 anos para ficar pronto, entre 1994 e 2002. Organizado, originalmente, pelo Museu Guggenheim, de Nova York, ele reúne desenhos, esculturas, fotos e a projeção de cinco filmes, todos ligados pelos mesmos elementos: sexo e criaturas bizarras. Aliás, a expressão que dá nome a exposição não foi escolhida aleatoriamente, ela vem do grego ??kremastér? e refere-se ao músculo que controla a tensão dos testículos, bem como define a sexualidade dos indivíduos a partir das seis primeiras semanas de desenvolvimento de um embrião.
Tereza Santoro, doutora em semiótica, disse certa vez que a obra de Barney busca ??essa transcendência física e psicológica do organismo humano. Seus heróis são seres híbridos e tem como modelo o ser biológico em sua fase de indiferença pré-genital (embrionária), fase de pura energia potencial, aberta para as possibilidades. Concretizadas, essas criaturas espelham organismos autárquicos ou independentes: são organismos herméticos, fechados em si mesmos, sem sexo definido, ou organismos cibernéticos, uma mistura entre o natural e o artificial?.

Cremaster 4
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Barney é pós-moderno, tanto no que diz respeito a execução de cada filme, quanto ao conjunto da obra. Isso porque, em primeiro lugar, ele é autor de textos que evitam uma seqüência óbvia de cenas em detrimento das performances de cores, sons e personagens; em segundo, porque ele apresenta cinco histórias que, apesar de estarem cardinalmente numeradas (1,2,3,4,5), não foram nem produzidas nem lançadas nesta seqüência.

Cremaster 1
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No entanto, não se trata de uma negação da narrativa, mas da contemplação de uma narrativa de outra ordem, de modo que cada plano possa ser uma obra, e seu diálogo com os demais, se dê num movimento circular. O Cremaster é, então, o resultado de uma complexa edição de imagens que altera a noção de tempo, ralentando os andamentos que determinam o fluxo narrativo e os pontuando por processos repetitivos.
? essa lógica aparentemente caótica, associada as personagens e aos materiais cênicos, que desperta o nosso imaginário e desencadeia a transitoriedade e o pluralismo interpretativo. A complexidade da sua produção não nos permite atribuir-lhe um significado fixo, a-histórico, único para as imagens, mas encontrar os lugares possíveis dos sentidos, onde o real e o irreal dialogam. Um exemplo dessa condição recai sobre as figuras mitológicas que passeiam pelas cenas barnianas, em fotografias ou planos cinematográficos. Elas exaltam os significantes do corpo, de modo que suas formas são expandidas, deformadas e reconstruídas, numa variada gama de possibilidades, como um conto de fadas birrazo, povoado por seres assexuados.

Cremaster 5
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Cremaster 2
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Obs.:
1. Robes taí o texto sobre o tal artista ??maluco??;
2. Jú agora tu faz o texto da Cindy Sherman!!!!!!!
3. O site oficial da exposição é www.cremaster.net
Legendas das fotos:
Cremaster 4 foi o primeiro da série. Ele acontece na Ilha de Man. Enquanto duas equipes manobram carros voadores, em uma competição, um semideus selvagem, rodeado de fadas andrógenas, executa um número de sapateado, para em seguida cair num túnel labiríntico de vaselina.
Cremaster 1 se passa no estádio de futebol americano de Bronco, Idaho, e traz como principais elementos cênicos uma diva platina, um grupo de ??showgirls? e dois balões da Goodyear.
Cremaster 5 tem como cenário a cidade de Budapeste, e reconta uma história popular européia, de amor e tragédia, vivida por uma rainha e um mágico no século XIX.
Cremaster 2 apresenta uma história real sobre o assassino americano Gary Gilmor. Ele se passa entre os campos gelados do Canadá até as planícies de Utha.
Cremaster 03 é último filme do Ciclo. A história é ambientada na Nova York dos anos de 1930. O próprio Museu Guggenheim vira palco para uma disputa entre o pedreiro e seu mestre, arquiteto do prédio.

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