Os Armênios

Ecos Falsos e Jazz Blaster: de Bukowski � Canto dos Malditos na Terra do Nunca em alguns goles de água

Postado em 17 de outubro de 2006

por Fernanda Peres Rocha
(correspondente armênia em Sampa)

Depois de uma viagem tranqüila, de 14 horinhas apenas, volto � SP!

A terra da garoa continua a mesma, só a minha visão mudou. As quadras que mais parecem ruas triangulares tomadas por carros e motoboys suicidas não me assustam mais como antes. As casas de shows me parecem comuns, apesar de ainda conhecer novas…

Enfim, uma visão diferente.

Bukowski

Para entender a minha nova visão sobre a capital paulista, primeiro deve-se compreender o meu atual estado. Sóbria. Completa e absolutamente sóbria.

Então (como costumam começar as frases os paulistanos), a única forma que encontrei de chegar o mais próximo possível do meu estado normal (quem me conhece, sabe do que estou falando) foi me jogar no Bukowski.

De manhã � noite, de metrô � ônibus, � McDonald??s. Porque vou explicar uma coisa: tentar viver a noite mais ??true-metal-rocker-indie-emo-mod-from-hell? do Brasil, sem colocar uma gota de álcool na boca, é como ir � inauguração de um restaurante japonês e só conseguir comer um sushi por não ter fome, ou comer um McFish frio e mole com batatas geladas. Ou seja, coisas que realmente andam acontecendo ultimamente.

Pingos nos ??is? de uma vida paulistana sem graça devidamente colocados, vamos aos fatos.

Jazz Blaster

Então se resolve sair um pouco (mas nem tanto) do eixo Vila Olímpia/Augusta e a baladinha (termo que não agüento mais ouvir) se faz na Frei Caneca nº 304, no Juke Joint, casa que antes (ao menos são os comentários) era um fedido bar de jazz.

Lugar bacana, com bar legal, pista e palco de bom tamanhos. Daquelas casas de rock que realmente cativam, principalmente por ter um dono cabeludo que adora contar histórias e dizer o quanto é alcoólatra e drogado. Fui criticada por ele algumas vezes por estar bebendo água. Por um lado era bom. Era um motivo a mais para ouvir as histórias daquele maluco. ??Quem nasceu pro rock não sai do rock. Garotas como nós, se sentem atraídas por tipinhos escrotos?. Já dizia uma amiga minha que, talvez, soubesse das coisas.

Enfim. Frei Caneca. Shows de Jazz Blaster e Ecos Falsos. Mas agora me limito só a falar da primeira banda.

Jazz Blaster - 1.jpgJá tinha ouvido falar, já conhecia o vocalista, já tinha andado com uma camiseta deles na minha bolsa, mas não fazia idéia do que era realmente a tal da Jazz Blaster.

??? meio Weezer!?, me falaram logo de cara. E é, é meio Weezer. Aquele rockinho bom, de bater o All Star no chão e balançar a franja de um lado para o outro sem se preocupar, bem de boa. ? esse o som deles.

As influências das guitar bands dos anos 90, do new wave e do britpop são óbvias, e pra quem gosta do gênero, um prato cheio. No palco, Rodrigo Araújo na bateria, Pablo Lopes no baixo, Nani Lemos na guitarra e Vini F na outra guitarra e no vocal funcionam muito bem, mas ainda parece faltar alguma coisa, não musicalmente falando. O som é redondinho, entra com gosto nos ouvidos, como todo bom indie rock que se preze deve entrar. O que falta é entrosamento.

Por mais bizarro que possa parecem agradeço por, em certo momento do show, ter ficado atrás de um pilar. Assim eu pude comprovar a primeira impressão que tive. Visualmente falando, parecem duas bandas. Numa, Vini F, com um ar meio tímido, mas empolgado. Figura carismática e demonstra se divertir tocando. A ??segunda banda?, é o resto. Cada um encarando seu instrumento, parecendo � s vezes, até integrantes de uma banda levemente emo.

Talvez fosse por eu não estar bêbada, mas realmente essa questão visual me incomodou, só que não o suficiente para desgostar da banda, que sonoramente falando, não deixa um cu na bunda de ninguém!

Canto dos Malditos na Terra do Nunca

Essa, com certeza, não teria um lado positivo nem que eu tivesse consumido toda a bebida do Outs, ou da Augusta inteira. Sabe aquela música ??… olha a minha cara de quem gosta de você…? (ou algo assim)? Então, essa banda mesmo. Todas as músicas lembram essa música. Banda sem graça, que busca demonstrar uma atitude que realmente não agrada.

Não vou dizer que não agradou a todos. Haviam fans (com seus cabelinhos nos olhos) berrando as letras como se fossem as melhores do mundo todo. Mas creio que essas pessoas têm algum tipo de problema.

Canto dos Malditos na Terra do Nunca.jpg

O visual grosseiro de Andréa, vocalista (que dizem as más línguas ter assinado em seu contrato com a Sony que sempre tem que estar de barriga de fora ?? dizem as más línguas, não eu…) não agrada qualquer um. Mas não choca também, o que creio ser a intenção da banda. Letras tristes, vocal bêbado, e total falta de presença de palco acabam fazendo deles algo difícil de engolir.

Mas gravaram pela Sony, e devem sim se aproveitar da febre emo mundial para vender aquilo que sabem realmente fazer, que é cantar músicas para cortar os pulsos, e chorar em paredes. Não pretendo ver de novo, a não ser que eu tenha muito azar, ou esteja muito bêbada.

Show da vez: ECOS FALSOS

A primeira vez que ouvi falar de Ecos Falsos foi numa tarde sem nada para fazer, na qual fiquei sentada no sofá de casa trocando de canal de cinco em cinco minutos. De repente vejo uma banda na MTV, mais exatamente no Banda Antes, consideravelmente boa.

Fui atrás de algumas coisas deles na Internet e me deparei com a tal famosa frase do Tom Zé: “A melhor coisa que eu ouvi de rock nos últimos tempos?. Achei aquilo meio exagerado, mas enfim, comecei a fazer contato com eles, conhecendo mais, e virando fã. Mas ainda achava um exagero.

7.jpgAté que depois de tanto esperar (alguns meses esperando, aliás), consegui ver, pela primeira vez, o tão comentado show da ??pós-boyband? (como os meninos mesmo se intitulam) Ecos Falsos, e hoje me encontro em uma real maratona com eles, de show em show. Só na última semana, vi dois.

Os meninos bonzinhos do rock são realmente viciantes e surpreendem sempre. Baixo (Thiago), bateria (Davi) e uma parede de três guitarras (Daniel, Felipe e Gustavo), tudo muito bem tocado, misturados com a energia visceral da banda e a saliência (sim, muito salientes) de alguns integrantes. Enlouquecem qualquer um, eles estando bêbados ou não, e platéia estando bêbada ou não (meu atual caso).

E isso empolga.

8.jpgO que mais me atrai realmente num show deles, além da presença de palco absurda e da qualidade musical, são os sorrisos. Sim, os sorrisos, as gargalhadas e as caretas que costumam fazer durante todo o show, mostrando o quanto se divertem fazendo o que gostam. Falta isso em algumas bandas.

Sentimental, Inibié, A ?ltima Palavra em Fashion e Reveillon são algumas das canções tocadas no show que o público aos poucos começa a gritar, cantarolar e dançar. Além de saber fazer rock e ter um marketing perfeito (que inclui de caixas de fósforos � santinhos do Bom Amigo Inibié) a banda foi indicada ao Prêmio Dynamite na categoria rock, e agora ao VMB na categoria ??Melhor Clipe Independente? com Reveillon, que pode ser visto no site deles.

Pra quem quiser ver alguns vídeos da banda é só entrar aqui. Só que uma coisa eu digo: ao vivo, eles valem realmente a pena. Ainda acho um exagero o que o Tom Zé falou, mas se antes do show eu já era fã, agora sou mais ainda.

Eu indico, aconselho e pago pau.

Não ida ao show da Ludovic

10.jpgA cobra mal matada continua sendo um mistério para mim. Parece que só porque eu estou acreditando que podem sim ter talento, as coisas dão errado. Mas não desistirei assim tão fácil. E digo mais. Se eu conseguir ver um show da Ludovic e gostar, prometo ir em um do Montage (foto dos ridículos abaixo)!

Montage.jpg

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9 comentários

renato f.

legal fer!!!

???????

Os detonautas são fã do garras!!!!!

MaíraMartini

Fer adorei o texto.
Muito legal. Se aparecer uma banda chamada Mordida
(Curitiba), assista o show e depois nos conta. Eles já fizeram
show com os Ecos Falsos.
Bjs

Cão andaluz

Não sei qual é o limite: Ecos FAlsos e Canto dos Malditos na Terra do Nunca ou Paris Hilton e Maná (O Bon Jovi mexicano)? ? bandinhas ruins essas duas…

Mas o texto tá bem massa.

Robes

Penny!!! Muito legal o teu texto! Amei a parte da saliência… hehe.
Gostei muito da crítica musical. Mas hááááá Penny!

hehe

WANABE
WANABE
WANABE

crítica musical????

onde?quando?como?com que base?baseado em que estudo?no seu gosto musical particular?

não, não….assim não dá…agora qualquer um é crítico musical!

(só p/ alertar:se vc conhecesse uma unha do Bukowski mesmo, saberia que ele mesmo diz que tinha UM PROBLEMA por beber, q era doente, e q nao entendia as pessoas que o imitavam, p/ querer copiar a desgraça da vida dele…pesquisa um pouquinho,garanto que vc não irá se arrepender!)

vini F.

aeee!! legal o texto fê! tá com um dedo bem pessoal (o que pode até ser uma crítica se não for a intenção)… e que fique registrado que aquela era a segunda apresentação do jazz com a formação nova…

eu

Vou dizer o que já disse antes… deixe as críticas musicais para M?SICOS.

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