Os Armênios

Entrevista com Allan Sieber

Postado em 5 de junho de 2006

por Os Armênios

Cartunista famoso pelas séries Vida de Estagiário e Preto no Branco. Animador premiado por curtas como Deus é Pai. Recém indicado para várias categorias do troféu HQMix, Allan Sieber já entrou para a história das HQs nacionais. Hoje é aclamado pelo público como um seguidor da linha trilhada por nomes consagrados, como Angeli, Laerte, Glauco e Adão. Nessa entrevista, ele conta tudo sobre a censura que recebeu na MTV, adianta novidades sobre próximos lançamentos da Conrad, saúda o Adult Swim, comenta sobre um projeto-homenagem a Carlos Zéfiro e ainda fala sobre cinema, música, literatura e, claro, quadrinhos.

Rodrigo – Quando e como você se envolveu com quadrinhos? O que você lia na época que te influenciou?

Meu pai tinha muito quadrinho. Era desenhista comercial. Ele tinha uns Spirits e uma publicação chamada Gibi, que deu origem ao termo gibi. Era nos anos 70, tinha o tamanho de um jornal, desses formato standard, tipo uma Folha, um Globo e tal. E era só com quadrinhos: Brucutu, Spirit, Jim das Selvas e não lembro mais o que. Eu lia muito isso. Quando eu era moleque, também, caiu nas minhas mãos um livro do Millôr chamado Que País é Esse? Que eu, obviamente, não entendia muito bem. Era muito novo. Não sacava o texto dele, mas gostava muitos dos desenhos. Aquela coisa super grotesca que ele desenha. Uns caras com uns dentes, umas mãos meio garras e tal. Eu gostava muito. E tinha um cara que desenhava uns gibis da Disney que se chamava Carl Barks. Esse imediatamente tu identificava que a história era dele. Desenhava de um jeito que era totalmente diferente do resto, dos outros desenhistas. Eu gostava muito desses caras. Quando comecei a desenhar eu fui influenciado pelo que tinha na época. Animal, que era uma revista coletânea, e apresentou uma série de autores para o país, tipo Kamagurka, Mattioli. Esses caras meio que fizeram a minha cabeça. E a Dum-Dum, que era uma revista feita em Porto Alegre. Acho que saíram três números em 89, 90 e 91, com o Adão, Fábio Zimbres, esse caras. E o Crumb, é óbvio, que fez a minha cabeça quando eu conheci o trabalho dele. Fiquei muito impressionado, principalmente pela coisa autobiográfica, dele contando as histórias dele.

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Parecendo o Zé do Caixão.

Roberta – Quando foi isso? Em que ano?
Na verdade fui conhecer mesmo a obra dele quando eu trabalhava lá no Otto (Guerra). Na Otto Desenhos. Todo mundo que trabalhava lá fazia e gostava de quadrinhos. E o Otto mesmo tinha vários gibis do Crumb que ficavam jogados lá no estúdio. E o pessoal, quem quisesse, lia e tal. Foi em 92.

Rodrigo – Foi aí que tu começou a fazer fanzines?

Cara, quando eu era moleque sempre tive um certo fetiche com revistas. Essa coisa de desenhos seriados em páginas. Então eu mesmo fazia uns gibis assim, homemade, bem tosco, mas todo fechadinho, com uma capa, e histórias que acabavam e tal. Mas comecei a fazer fanzines também em 92, porque o pessoal do estúdio fazia um fanzine, e por inveja eu resolvi fazer o meu, o Glória, Glória, Aleluia (Risos). Hoje em dia é muito mais fácil. Tem blogs, para você divulgar o teu trabalho. Mas naquela época especificamente o único jeito mesmo era você fazer um fanzine, xerocar e vender, ou botar na mão das pessoas.

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Tarja Preta nº 1: zine clássico com HQs de Allan.

Rodrigo – Como é que foi a história da tua animação que foi censurada na MTV?
O negócio da MTV é o seguinte: em 99 eu fiz um curta chamado Deus é Pai. E inscrevi em Gramado, sem pretensão alguma. Que em Gramado tem um lance que, se você é gaúcho, seu filme vai passar lá na mostra gaúcha. Então eu fiz na verdade pra isso. Mas pra minha surpresa o filme foi selecionado para a mostra oficial. Aí, puta, deu super certo. Ganhou uns prêmios, a exibição lá foi ótima, todo mundo reagiu muito bem e tal. Aí, em 2000 a MTV me procurou para fazer pequenos pilotos de uma série baseada no Deus é Pai. Eu fiz dois pilotos de dois minutos cada um. Um chamado Zoando o Barraco, que era tipo, Deus vai viajar e deixa Jesus em casa. Ele aproveita e faz uma puta festa, assim, horrorosa (Risos). A outra era Regulando a Mesada, que era tipo, Deus corta a mesada de Jesus. Daí ele tenta descolar dinheiro, pedir pros amigos. Só que ninguém empresta pra ele. Aí, resumindo, ele meio que vira um traveco (Risos). Com uma bolsinha, e tal. Aí, esse especificamente, do Regulando a Mesada, passou uma vez na MTV e imediatamente… Na verdade é uma história nebulosa, mas pelo que eu sei um assessor do Dom Eugênio Salles, que era Arcebispo do Rio na época, ligou pra lá e fez um puta escarcéu, que era um absurdo! Daí o curta nunca mais passou e a série não deslanchou e tal. Eu achei uma pena porque tinha potencial. É uma história na verdade muito idiota, muito básica. Tipo Deus e Jesus numa situação familiar. E é muito pop: todo mundo conhece eles. Eu achava que podia dar certo uma série sobre isso. E até daria, mas não consegui viabilizar por conta desse freio religioso.

Rodrigo – Então teve apenas uma exibição?
Eu lembro que isso aí passava no programa do Gordo. Ele entrevistava alguém e aí tinha lá um segmento de animação. Aí passou uma vez esse, passou o outro e deu essa merda. Aí, nas reprises ele já foi editado sem o curta assim. Tipo, já cortaram a bagaça lá. Eu queria retomar.
Agora tem esse negócio do Adult Swim, que eu acho do caralho. Tipo o Advogado Harvey. (Empolgação geral) Aquilo é genial. Agora ta passando aquele que rolava no SBT, Os Oblongs, que tem um cara sem braço, sem perna… Aí eu tava fazendo contato com o cara responsável pela programação, pra ver de repente se não conseguia retomar essa coisa.

Maíra – Agora tem os cartunistas daqui.
O que tem de brasileiro é feito por uma produtora paulista, acho que do Daniel Messias, que pegou várias tiras de cartunistas, tipo o Laerte, o Glauco, o Angeli. Eu só vi o do Adão e do Geraldão. Tem o Pequeno Pônei, que pelo que falaram foi o que ficou mais legalzinho.

Maíra – Foi o que eu mais curti, apesar de ser fã do Adão. Mas funciona melhor que os outros.
É. O desenho dele é todo certinho, sintético. Parece que é feito pra isso mesmo. Mas daí a gente ta conversando lá na Tosco pra ver se a gente retomava essa série do Deu é Pai, mas não existe nada concreto, vamos ver.

Rodrigo – Tu mantém teu blog constantemente atualizado. Lá é possível encontrar tuas tiras, trabalhos que saíram nos álbuns, e coisas inéditas. Hoje em dia, com o lance da cultura livre, copyleft, tu não se preocupa em ser plagiado ou que tua arte seja pega lá e utilizada?

Uma coisa não inviabiliza a outra. Porque o sujeito tem o acesso ao conteúdo lá no site e isso não quer dizer que ele não vá comprar o livro. Porque são duas – Alguém tem cigarro? (Allan fumou durante toda a entrevista, antes dela, e depois também).

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Quando começou a rolar essa popularização da Internet começou aquele papo de que o livro ia acabar, que agora não vai mais ter livro. E isso é uma bobagem. Nada supera a sensação táctil, de tu pegar o livro, folhear ele. O lance do objeto mesmo. Você poder voltar as páginas, levar pro banheiro. Básico, umas coisas assim. Então, acho que só porque o material ta disponível na internet não quer dizer que o cara que se identifique com isso, que curta o trabalho, não vá comprar. Na verdade acho que é até o contrário. Fica mais visível! A pessoa conhece, se interessa e vai atrás.

Rodrigo – Se tu pudesse trabalhar com qualquer personagem que tu não tivesse inventado, de quadrinhos ou animação?
Personagem de outras pessoas?

Rodrigo – É. Tu gostaria de reinventar ou trabalhar com algum?
Não sei… (Pensativo) …Talvez eu gostaria de trabalhar com um personagem que saia na Animal, de um belga chamado Kamagurka, que era um cara idiota chamado Cowboy Henk. Super boçal. Esse personagem é, na minha opinião, um dos melhores personagens já criados. Ele é completamente imbecil. Ele é o Cowboy Henk assim, tem um topetinho loiro, e tal, forte, e só faz merda. Tipo, tem duas tiras que eu me lembro muito bem (risos). Tem uma que ele entra num táxi e fala pro motorista: – Siga aquele carro! Aí o motorista: – Mas aquele carro ta parado! E ele: – Pois é! É que hoje eu to sem dinheiro para seguir carros andando. (Risos) É uma coisa nonsense… Na outra ele ta fazendo uma janta pra um pessoal, e ele chega na sala assim: – Aí, todo mundo gosta de alho? O pessoal diz que não tem problema e ele: – Ah legal, porque é tudo que tem! E chega com uma bacia cheia de alho. (Risos) Esse cara eu pago muito pau pra ele. Gostaria de fazer umas tiras com ele. O Cowboy Henk.

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Cowboy Henk: “Esse é, na minha opinião, um dos melhores personagens já criados”.

Rodrigo – Projetos futuros? Novos álbuns? Animações?
Eu terminei esse projeto de animação chamado Santa de Casa, que foi um filme que levou muito tempo pra fazer. E, ao contrário dos outros filmes lá da Tosco, é super elaborado, bem animado, com um cuidado que os outros não tiveram. Tanto que o nome da Tosco é justamente por causa disso (a produtora de animações do Allan se chama Toscographics).

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A gente só faz filme bem vagabundo e tal. Mas esse aí fugiu completamente dessa regra. E nos faliu. Foi tipo o Waterworld da Tosco. Aquele filme do Kevin Costner que ficou uma merda e faliu ele. Bom, a gente vai lançar ele agora no Anima Mundi e paralelo a isso a gente começou a fazer um filme novo, um curta novo chamado Animadores, sobre animadores de festa infantil. Com os caras vestidos de urso, zebrinha, macaco… essas coisa. Então é isso que eu to fazendo agora. E eu comecei um longa, mas isso tá muito na pré-produção, tá no storyboard. Baseado… na verdade é uma homenagem ao Carlos Zéfiro, aquele desenhista dos anos 50 e tal, que fazia uns gibizinhos pornográficos que fez a iniciação sexual de algumas gerações aí. Esse aí se chama De mão-em-mão, mas tá bem no começo, esse longa. Se esse aí rolar vai ser lindo cara.

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Mafalda e Heloísa Helena, as gatas da Jú e do Renato atacam o gravador.

E de livro eu teria que lançar, por contrato, um pela Conrad que seria o Preto no Branco 2. Mas não sei se vai rolar. Eles querem que eu faça outra coisa. Querem um manual de desenho tosco.

Todos – Uau! Do caralho!
Eu gostei da idéia, mas é que eu teria que fazer todo ele. O Preto no Branco 2 já estaria pronto. Mas o Rogério de Campos (editor-geral da Conrad) quer que eu faça esse negócio aí. Que é tipo um manual de desenho tosco. Eu achei do caralho!

Maíra – Lança os dois!
É. A idéia seria justamente fazer uma picaretagem. Esse manual e o preto no branco num mesmo livro. O Preto no Branco seria tipo um exercício né, para os caras passarem por cima e tal. Mas eu dei a idéia pro Rogério e ele não pareceu muito empolgado.

Rodrigo – Gerações inteiras de novos desenhistas bizonhos podem se originar a partir desse teu trabalho.
É! Seria só umas coisas assim, tipo, como desenhar bêbado. Perspectiva: Mito ou Verdade, uns capítulos idiotas assim (Ri). Na verdade eu não sou muito fã da técnica. Meu desenho é bem tosco. Eu respeito quem sabe desenhar e tal, quem tem uma linha mais bonitinha e tal. Mas não acho isso essencial. Acho que tem vários modos de tu desenhar, de fazer uma história em quadrinhos, e não precisa, exatamente, passar por essa coisa mais técnica.

Rodrigo – Acho legal que aqui no Brasil tem toda uma série de artistas que são respeitados mesmo fazendo essa linha, que se originou nos anos 60, que não tem essa preocupação. É um paradigma novo.
É uma linha mais solta. Tipo, sei lá, desde o Henfil. Se bem que o Henfil desenhava pra caralho. Só que ele tinha um traço caligráfico. Desenhava muito rápido e com um poder de síntese muito grande assim. Não tinha detalhamento. Fazia tudo muito (agita o braço rapidamente e assobia um som de lápis riscando o papel)… corrido e tal. Mas genial, né?. Ele é um cara que influenciou, pô… Desde o Laerte até… sei lá. Uma galera…

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Rodrigo – Qual é a tua relação com a crítica?
Na verdade eu acho que a gente anda muito mal servido de críticos em qualquer área. Talvez em cinema tenha uns caras mais sérios. Mas música, teatro… Pelo menos nos veículos de maior circulação acho que são meio qualquer nota. Quadrinhos, por exemplo, não existe uma crítica propriamente dita. Existem resenhas. Não é muito levado a sério. Quadrinho não é muito levado a sério. É uma coisa meio exótica. Sei lá… Eu tinha uma coluna na Trip que era em quadrinhos, e que saia todos os meses. Depois eu notei que eles não queriam aquilo todo mês. Queriam coisas mais esporádicas. Mais tarde eu fui sacar que, na real, eles achavam uma coisa meio absurda, assim, uma coluna em quadrinhos. Uma coisa meio exótica (risos). Depois que eu me liguei disso. O que é uma cagada. Em qualquer revista gringa sempre vai ter quadrinhos e colunas em quadrinhos. Se usa muito pouco isso no Brasil.

Rodrigo – Tu tem um monte de tatuagens. Que relação é essa com o lance imagético? Querer ter um negócio impresso até mesmo na pele?
Eu gosto de tatuagem. Na verdade eu gosto dessa coisa impressa na pele… (Reflexivo) Desde moleque eu ficava impressionado com esse negócio “Nossa, uma pessoa com uma tatuagem. Como é que faz isso?”. E no fim eu apliquei isso a mim mesmo. Fui tatuado. Acho legal. As pessoas sempre fazem aquela pergunta clássica: – Tatuagem, tu vai ter que ver isso aí a vida inteira. Mas, puta, se eu fosse um highlander, e vivesse uns 2000 anos eu me preocuparia. Mas a vida é muito curta. Isso aí é uma bobagem. Foda-se.

Roberta – E quantas tu tem?
Ah… sei lá. Umas quinze. Tenho nas mãos, nos braços, no peito, na perna…

Roberta – E nas costas, tu não tem?
Não (Rindo)!

Rodrigo – Bá! Eu não ia agüentar ter uma nas costas. Não poder ver.
Pois é. Mas daí tu coloca um espelho retrovisor. (Risos)

Maíra – E esse teu livro novo?
O Sem Comentários. É uma compilação de textos e desenhos do meu blog.

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Maíra – A edição ficou caprichada…
É! O cara dessa editora, a Casa 21, é super cuidadoso. Ficou interessante com o espiral. Tipo um bloco. E tu lê de cima para baixo. Como num blog mesmo.

[Nesse ponto da entrevista a fita parou. Ou acabou a parte A e a gente esqueceu de virar para o lado B. Mas nessa hora a Roberta perguntou "qual a parcela de participação (do Allan) na criação do Capitão Presença". O Allan disse que tem um amigo chamado Matias. Esse cara sempre salva todo mundo com Maconha. A pessoa tá triste, ele oferece um baseado. A pessoa tá mal, ele dá um beise, a criatura tá feliz, ele presenteia com um béquito. Então, segundo o Allan Sieber, um outro amigo dele e do Matias, o grande cartunista Arnaldo Branco, teve a super idéia de criar o CAPITÃO PRESENÇA! E a partir daí eles começaram a desenhar o Capitão, que fez muito sucesso entre os leitores do fanzine Tarja Preta. Que bosta que essa parte não gravou, ficou bem legal.

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Quando perguntado pelo Garras sobre o porque da recorrência do tema religioso em sua arte, Allan falou sobre o modo como ele foi fanático religioso, dos 10 aos 18 anos, em que foi Adventista. Não lembramos direito porque a seqüela é grande, e a fita terminou. Mas o que interessa é que ele era fanático. Se ele fosse muçulmano seria um homem-bomba - palavras do próprio! Com o Renato, relembrou uma coletânea underground punk chamada Grito Suburbano, que marcou ideologicamente seu trabalho.

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Falou também que a F. vai sair agora pela Conrad, com distribuição para todo o país. Vão rolar três números, bimestrais, que se vender bem, os Armênios apostam que pode se tornar uma nova Chiclete com Banana.]

Rodrigo – Livro de cabeceira?
Dois livros que me marcaram muito, um foi o Cartas na Rua do Bukowski, e o outro foi o Mate-me, Por Favor. Que é uma série de entrevistas sobre aquele cenário norte-americano de música punk, desde o Velvet Underground até… sei lá… Blondie! Foram livros que me marcaram muito. Mas eu sempre procuro ler e tal. Infelizmente não tenho muito tempo.

Juliana – Filme?
Filme é foda. Tem muito filme bom. Assim, o cara que eu mais pago pau, acho o maior diretor de todos os tempos, é o Sergio Leone. Fez aquela trilogia: Por Um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais e O Bom, o Mau e o Feio. Não, em português o nome acho que é…

Renato – Três Homens em Conflito.
Três Homens em Conflito, que é o final dessa trilogia. Que é o Clint Eastwood e o Eli Wallach. Esse filme é uma coisa brutal. É muito, muito bom. Fantástico. Esse filme e o Midnight Cowboy… como que é?

Juliana – Perdidos na Noite.
Esse aí eu catei numa banca, o DVD. Não, é lindo. Foda! É muito triste esse filme. No final, eles indo pra Miami, e o cara morto. É muito trevas.

Juliana – Então diretor, pra ti, o melhor é o Sergio Leone?
É. Acho que o mais foda seria o Sergio Leone. Mas eu gosto muito de dois caras. O Jim Jarmush e o japonês chamado Takeshi Kitano, que fez Dolls, Hana-Bi, fez Brother. Esse é foda.

Renato – Já assistiu Old Boy?
Já! Pô, esse aí é um coreano. Eu nunca sei o nome desses caras. (Risos). Na verdade, isso aí também é uma trilogia. Eu tentei assistir todos num festival de cinema lá no Rio. Só que é foda. Lá tem que comprar ingresso com muita antecedência. Mas Old Boy é sensacional. Quem ta mandando no cinema hoje são esses caras aí que tão fazendo, tipo, Hero e o Clã das Adagas Voadoras. Os caras fizeram um negócio de unir cinema de ação com cinema de arte. Uma coisa mega-linda-foda.

Juliana – Tenho um amigo que disse que o Clã das Adagas Voadoras era tão bonito, mas tão bonito que chega a ser chato.
Maíra – Eles tem outra concepção estética, totalmente alheia a nossa.
É! É verdade! Eles tem outra iconografia. Se tu pega os mangás e os animes, eles tem outro ritmo, outro humor… tudo bem diferente. Nós ocidentais procuramos vida em outro planeta. Mas o outro planeta é o oriente. (Risos) Eles são outro planeta mesmo. É outra coisa. Tudo diferente.

Renato – E disco?
Eu ouço muitas coisas. Na verdade tenho o hábito de ouvir o mesmo disco o dia inteiro, e por semanas. Quem trabalha comigo odeia isso é óbvio (Risos). Mas um disco que eu tenho ouvido muito ultimamente é um do John Frusciante, guitarrista do Red Hot Chili Peppers, chamado Shadows Collide With People… É, tenho ouvido bastante esse disco atualmente, acho esse cara muito foda.

Garras – Pois é. As coisas solo dele são muito nonsense…
Tem um disco dele que é totalmente doente, é quase um surto, é fora. Ele era viciado, esse disco que ele gravou, ele tava num estado muito, muito, muito, alterado. Esse cara é foda.
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Muitas imagens utilizadas para ilustrar essa matéria foram roubadas do site do Allan: www.allansieber.com

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19 comentários

Dóro

O Allan levou o Garras para o Lá em Casa, no final da entrevista? Garrinhas, fofa, usa KY.

Dóro

Afora os arroubos eróticos e o fato da Roberta ter tido orgasmos múltiplos com chantilli quando o Allan disse quais são seus livros de cabeceira, creio que a entrevista foi extremamente bem informada. Arrancaram muito dele. Merece publicação em site nacional.

fabizinha

Gosto muito do trabalho do Allan em animação e gostei da entrevista, principalmente dos filmes hahahahahha!!!!

Dani

muito legal a entrevistaâ?¦
super divertida..
me matei rindo da tatu nas costasâ?¦.

ahh..
soh faltou ele falar tudo isso na palestra..
hahahahahahahhaha
hãããããã�

Fefefefefefe

Ai ai, esses nossos amigos, eu hein!
A entrevista está do caralhíssimo� mas a palestra� ai ai�
Hehehehe!
E isso aí peludas!
Participem! Incomodem! Ataquem sempre!

O Allan Sieber tá no meu Orkuúúúú! Hahahaha!
[dãããã]

Dá-lhe Os Armênios!!!
[gostei do comentário do Doro sobre a Robes!! Hahaha]

Ziraldo

Não percam tempo entrevistando esse trolha!

Barão de Itararé

Esse cara não tá com nada !!! � ultrapassado !!!

Ronad Rios

Massa bagaraleo, congratulações.

chicuta

o Sieber é um gênio imcompreendido,e como os quadrinhos no brasil não são e nunca serão levados a sério (graças a Alá),continuará a ser imcompreendido e nunca fará aquelas vinhetas da globo que passam antes dos comerciais.Ah! e morte ao Ziraldo!!!!!!

maria

Parabéns pela entrevista!
Adorei a historia do Capitão Presença….rs

Sábado

Vai todo mundo pro inferno!

Kaiser semi gelada

casagrande

bem legal a entrevista
vamos ver essas animações novas aí
até mais

Marcio Petracco

O Allan é o bicho, osarmenios são foda..
Valeu!

Marcio Petracco

E o tal Raoul ta se puxando no marquetchin..

Daniel Messias

O allan é fera, gênio….gostei da entrevista. Mas da série “Cartum Netiuorque”, que animei praquele canal, a minha vinheta preferida é….todas (rs,rs,rs)

spubpo1

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grilo

Sybah!!

Manuh

Seria Cowboy Henk pai de Johnny Bravo (cartoonetwork)?
Ou seria Johnny Bravo um fã débil de Cowboy Henk, que tenta imitá-lo a qualquer custo mas na verdade não compreende as suas obras…
Como aquela era de fãs malucos de Elvis, vangloriando-se apenas pelo topete, e descartando completamente os seus discos, suas atitudes, enfim…
Grandes gênios, fãs merdinhas. Não que Johnny Bravo não seja divertido…
Tá, parei.

Essa foi uma das entrevistas mais massa que já li, gostei do estilo da conversa e da maneira que o texto foi editado aqui, do relato fiel quanto ás suas expressões… Bá, do caralho mesmo. Mandaram super bem!

Ã? isso.

elis

Eu gosto do Allan e também gosto do Ziraldo. Cada um por um motivo diferente…

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